Não será dessa vez nas asas da Panair!

Não será dessa vez nas asas da Panair!

Faltando poucos dias para voltarmos a voar. E dessa vez, assim como foi na outra, não voaremos nas asas da imaginação. Nem pelas asas da panair tão bem cantadas (plural mesmo) pelo Milton nascimento e Elis Regina. As asas – essas no ritmo do forró – serão diferentes.

Não voaremos cantando. Não precisamos.  O canto guardaremos – e silenciosos – para aquele doce e inesquecível momento em que os nossos pés beijarão os chãos paulista e carioca.    Não nos faltará ar no caminho. Terra?! Essa carregamos dentro do peito.  A nossa.

Não pensava que gostava tanto do Rio. Ela, a Rosa, eu sabia.  Mas aprendi a gostar do Rio em qualquer mês. Seja Janeiro ou quando setembro vier. Não sabia que dele gostava mais que de uma São Paulo que me deixou parado no cruzamento das ruas Ipiranga com a São  João.

 A poesia de São Paulo é concreta. A do Rio é liquida.

Não estaremos voando para o desconhecido.  Esse, porém, não nos mete medo. Só não queremos conhecê-lo muito em breve. Voar… Voar… Subir… Subir…  voar para mim é navegar num mar de Rosa. Desfiar pétalas por pétalas atalhos de nuvens.

Os pássaros de aço não nos metem medo. Não os tememos. Nem mesmo aqueles que inventam em domá-los lá em cima. E doma-os! A sensação de liberdade nos invade quando o pássaro desliza sua barriga num tobogã de nuvens branquinhas como picolé de coco.

Chove lá fora. Mas os trovões não chegam os nossos ouvidos trazendo a impressão de que uma de suas turbinas está doente.  Ou as duas. Tossindo.  A garganta de aço cheia de nuvens. É uma maravilha voar em pássaros assim!  

  Há pouco estivemos pelo Rio de Janeiro. Era mês de Dezembro. Espalhamos os nossos olhos pelo gramado do Maracanã, e medimos a distância entre uma mão e outra do Cristo Redentor!  

 Não foi essa a nossa primeira lição de espaço e nuvens branquinhas como farda de almirante. Outras viagens fizemos juntos. E voamos mais alto. E, para a surpresa de muitos, fora da barriga de um pássaro de aço.

  Agora estamos de volta. Não vamos nessa voltar nos perder. Nos encontramos. Ora bolas! Na volta ninguém se perde. O caminho de volta pode até ser mais longo. Mas tudo bem.   Perder-se, porém, nunca.

 Essa será uma volta por caminhos antes percorridos. Conhecidos. Mas os veremos e por eles  passaremos como se fosse a primeira vez. Não voaremos nas asas da Panair. Essa mesma que deixou no ar a poesia de  muitas chegadas e despedidas.  As asas – dessa vez – serão as nossas omoplatas. Elas nos levarão a espaços que os belos pássaros de aço nunca conseguirão alcançar.

O Cristo nos espera de braços abertos!

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