no cine são josé o filme era quase sempre assistido pela metade!

no cine são josé o filme era quase sempre assistido pela metade!

O cinema e São José ficava ali onde hoje é uma oficina mecânica. Uma só oficina não, muitas. Nem todas mecânicas. Nessa mesma rua, Senador João Lira, esquina com a Floriano Peixoto, no meu bairro Jaguaribe, morava também o meu irmão que não gostava de cinema. O meu irmão João Heráclito era um dos poucos da família” Heráclito x Chiquinha” que destoava dessa arte que acho tão gostosa que nunca colocaria na condição de sétima.

Tota éoutro irmão  que  também não era chegado a uma “tela grande”. Assim de memória, essa fora da tela, confesso não lembrar de um só filme a que ele assistira em sua curta vida. Pausa. Essa curta, para que não seja confundida em minhas memórias com mais um filme, foi a vida de Tota, pois, a de João, esse que também ao que me parece nunca assistira a um filme foi longa e profícua.  Tem mais.  Se dependesse de nós irmãos mais longa ainda seria.

O cinema São José era um dos menos frequentados dos três cinemas do meu bairro. O Santo Antonio e o jaguaribe, talvez pelo fato de se encontrarem mais próximos da minha rua, essa para a qual pulei depois de nascer em outra bem ali pertinho, no mesmo bairro, Rua 12 de Outubro, eram os mais procurados. Foi ali,  no Cine  São José, que assisti a “Casa de chá do luar agosto”.

Lembro-me ainda que o meu irmão  Paulo  ainda hoje considera essa “dramática/comédia” um dos piores filmes a que assistiu em sua – também – ainda curta vida. Eu não. Até que gostei. O filme foi lançado no verde-amarelo – tudo registrado –  no distante ano de 1957. Mas, se a memória não me falha, essa hoje traidora, só iríamos assistir anos depois. O filme? Simples: uns queriam construir uma escola; outros uma casa de chá. O diretor do filme é  o Daniel Mann.  Marlon Brando e Glenn Ford também estavam lá.

Lembro muito bem é que assisti ao filme pela metade. Pausa.  Se foi pelo fato de ter saído do cinema? Nada disso. Eu bem que gostaria de assim ter feito, se no cinema tivesse entrado. Mas não foi o que a aconteceu. A “metade” de que falo aqui se deu pelo fato de ter assistido a esse filme “proibido” pelos espaços da uma grade em madeira, sempre aberta na lateral do cinema, para evitar que os privilegiados frequentadores não morressem de calor.

Ah, como me lembro!

Isso porque os  ventiladores não tinham frescura suficiente para aquela plateia de homens sérios. Esses mesmos que hoje me matariam de tanto sorrir.  Um sacrifício! Era assim:  o menino-jaguaribe pulava o muro do grande “Círculo operário”, como era conhecido e ainda hoje assim continua por muitos, e assistia aos filme ali exibidos como se estivesse assistindo a uma partida de ping-pong. Os olhos do menino balançavam de um lado para outro, espalhando  o olhar  curioso pelo pedaço da tela em que o filme era exibido.

Tá bom, depois conto mais. O filme, pelo vez dele,  continua. Pois assim como o todo show não pode parar.

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