Num dia Branco como Domingo, a lembrança da Negra da minha rua…
a negra da minha rua

Num dia Branco como Domingo, a lembrança da Negra da minha rua…

Hoje amanheci em mim lembrando a Negra da minha rua. Essa, porém, como a 12 de Outubro, Rua em que nasci e caminha dentro de mim, veia cheia de lembranças, todas boas, ali não ficava. Isto é: essa rua não fica no meu bairro Jaguaribe.

A negra passava todo dia por essa rua que não fica no meu bairro, catando o que a gente lhe deve e nunca pagamos. Agora é tarde.  Não pagamos porque Po preferimos fazer esse pagamento diretamente na “lata de lixo”. Era uma bela negra.

Nessa sua passagem – tudo na vida é passageiro, inclusive ela –  por esta cidade, nunca soube o nome que lhe fora dado no cartório.  Nem lhe perguntei. Nunca achei preciso. Nem ela.

Afinal, a Negra para mim representava os milhões de negros que fazem o mesmo “trabalho” dela  e sabem que muitos de seus filhos também o farão. Ah, tinha uns… 80 anos. Creio.  Isso mesmo: oitenta anos de rua e de “escravidão”.

Hoje num domingo livre como o Aécio Neves para continuar mais corrupto do que nunca, lembrei dessa negra que um dia, deixando-me todo sem graça, flagrei mexendo na lata de lixo que fica na porta da minha casa.

Se fiquei nesse momento assim meio sem jeito? Pois é. Fiquei mais ainda quando ele me olhou nos olhos e abriu um sorriso tão branco que nem todo o sabão Omo do mundo poderia fazê-lo mais branco ainda.

Nada lhe falhei nesse dia. O seu sorriso me deixou sem palavras. Isto, claro, mesmo sentindo que o silêncio da boca não seria o suficiente para ela não entender o olhar que lhe dirigi. O olhar diz tudo. Sempre.

Faz tempo que a Negra da minha rua, essa bela negra que vocês veem ai, finalmente conseguiu a liberdade. Se foi preciso bater na porta do céu para entrar? Não! Assim como a boa Irene do Bandeira, imaginei a minha negra entrando no céu:

- Licença, meu branco! E São Pedro bonachão:
– Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

Eita saudade da gota serena!

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2 comentários

  1. Bom dia,
    que bela homenagem realmente merecida!
    esse escriba sempre voltando ao passado para trazer as nossas boas lembranças, para o presente!
    Parabéns Humberto!

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