O BOM PARAIBANO, AUGUSTO DOS ANJOS!

O BOM PARAIBANO, AUGUSTO DOS ANJOS!

Sempre que visito minha cidade natal, João Pessoa, recorro aos préstimos do magistral guia turístico, meu querido e amado mano Humberto de Almeida, Em uma das vezes, me levou ao Engenho Pau D´arco, na vizinha cidade de Sapé, que já foi a maior exportadora de abacaxis da América do Sul.
Mas minha curiosidade longe estava de saber a importância comercial da cidade. Eu queria mesmo era ver, in-loco, algo do local onde nascera um dos maiores vates da poesia brasileira: o Augusto dos Anjos.
Tenho em meu terceiro trabalho, “Parede de Memória”, que por sinal, encontra-se na Banca Central e Posto Fortaleza, alguns traços da biografia do grande paraibano. Ratificarei aqui, alguns tópicos.
Muitos escritores denominam a fase da obra do Augusto dos Anjos como pré-modernista. Prá mim, nem infrói nem contribói. Sei que o paraibano viveu, unicamente, trinta anos. Nasceu em 28/04/1884 e mudou-se para o outro lado, prematuramente, em 12/11/1914, acometido de uma tuberculose, quando já fixava residência, com toda família, em Minas Gerais.
De suas poesias, com respeito as demais, gosto da “Árvore da Serra”, declamada por mim em colégios e escolas municipais por onde andei, e a preferida pelos muitos birinaiteiros que conheci, “Versos Íntimos”. Vejamos esta última, caso tenham paciência:

“Vês? Ninguém assistiu ao formidável
Enterro da tua última quimera,
Somente a ingratidão; esta pantera,
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo; acende teu cigarro
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja esta mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Detalhe: a Paraíba só veio atentar para o valor de Augusto dos Anjos, quando ele já estava fixado em Minas Gerais. Chegaram a reclamar seus restos mortais mas a tentativa foi em vão. Ele está sepultado em Minas Gerais! A Paraíba mostrava, mais uma vez, ser madrasta de filhos legítimos!

Coincidência:Caso semelhante ocorreu com o escritor maranhense, Vespasiano Ramos. Nascido em Caxias do Sul, no Maranhão, em 13 de Agosto 1884 e falecido, em Porto Velho, em 26 de Dezembro de 1916. Este, propagou com denodo e brio o mundo literário em Porto Velho. Reconhecidamente, os amantes das letras, tendo à frente minha querida amiga Iêda, Mathias Mendes e outros poucos, propagam seu trabalho cultural e fizeram por onde fossem preservados os restos mortais do nobre escritor, no Cemitério Santo Antonio, na capital do estado!

É ruim fazer ninho para que os outros desfrutarem. Depois que a onça está morta, todos querem colocar o dedo em seu “monossílabo”! Aí é mole!

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