o caminho é menos importante que o caminhar: caminhemos!
todos juntos, vamos!

o caminho é menos importante que o caminhar: caminhemos!

Faz tempo que me acostumei a caminhar – bem acompanhado – ao lado da pessoa que eu gosto. Não é pouco. Uns veem e sabem desse meu declarado “gostar”, e  outros bem que gostariam de gostar assim e ser gostado. Isso faz um bem que somente os felizardos podem imaginar.  Numa  dessas caminhadas  aprendemos que caminhar sozinho deixa o caminho mais longo e menos poético.  Não estranhem. A poesia é necessária até mesmo numa caminhada.

 Pois é. Nessa caminhada o caminho nos abre os braços cheio de prazer em nos abraçar, e a distância é nenhuma. Não importa para onde estamos indo, a caminhada ao lado de quem se gosta é única. Nessa,  os  caminhantes pedem aos céus que essa nunca termine. Assim mesmo: o começo se esquece e no fim nos lembramos de pedir que não esteja próximo.

 Falei que estava acostumado a caminhar e  bem acompanhado. Verdade verdadeira, diria o Ibraim Sued.  Hoje seria mais uma dessas caminhadas. Não iriamos caminhar cantando e seguindo uma canção, mas caminhar juntos, apenas. Dividir silêncio e  compartilhar esperanças. Assim acontece em todas as nossas caminhadas.

 Não fomos caminhar hoje. Tudo bem que eu bem  poderia – assim como de outras vezes, essas há anos, em que ela não caminhava comigo – caminhar sem presença física dela ao meu lado. A física.  Sozinho. Pensei até mesmo em ir. Mas foi um pensamento rápido como um adeus da pessoa amada pela janela de um trem que acaba de partir. Não iria nem irei. Não fui.

 Ah, é o costume que mata. Nem sei dizer se foi dona Chiquinha a primeira santa a me lançar a advertência.  Porém, o costume, minha mãe, também faz viver. Também nunca assim lhe respondi. Mas, se assim lhe respondesse, seria entre risos e carinhos no olhar.

A verdade é que estou acostumado a caminhar ao lado dela e viver.   É uma maravilha caminhar ao lado de quem se gosta. Tudo se ouve e tudo se vê. Pássaros cantando e nuvens dançando no céu da manhã, branquinhas como roupa nova de Almirante.  Não adianta: dança de nuvens e poesia, e canto de pássaro é música que o homem nenhum é capaz de fazer.

Um tempo apenas para a Rosa. Esse para cuidar das pétalas, equilibrar a alma, restabelecer   o silêncio cúmplice com a esperança. Amanhã tudo voltará ao normal. Os pássaros continuarão cantando e as nuvens que ainda estarão na primeira parte da dança, a puxarão para o salão. É só um tempo, um intervalo, um ensaio para voltar ao segundo tempo revigorada e no mesmo ritmo do coração.

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