O cavalo de Tolstói e os cães que não veem em preto e branco de Francci Lunguinho

O cavalo de Tolstói e os cães que não veem em preto e branco de Francci Lunguinho

Todos sabem. Muitos. Quase todos.  Liev Nikoláievitch Tolstói, ou simplesmente –  para os mais íntimos –  Tolstói, conhecia e gostava de cavalos como poucos que conheço. E provou isso no seu excelente conto “Kholstomér”, a história de um cavalo”.

Nesse conto o escritor é o próprio. Ou seja: o cavalo “Kholstomér”. Tolstói sabe tudo o que pode pensar um cavalo! Se não bastasse, passeia por todo conto cavalo de corpo e alma. Conto mais: é um cavalo que deixa Incitatus, aquele “senador” famoso do Calígula na poeira.

Nesse momento, pouco a pouco, pois pouco tempo estou tendo, dedicação exclusiva ao filho em recuperação, leio os contos do poetamigo Francci Lunguinho. Esses que –  merecem –  em breve virarão um “capa dura”. O título?  Belíssimo:

- “Os cães não veem em preto e branco”.

Desde a semana passada, apesar da dedicação ao filho aqui declarada em poucas palavras, as aventuras de Jamón, um sujeito de bom quilate, “um velho acima de 13 anos”, não me sai da cabeça. Fica lá dentro, entre um sorriso e outro, seguido de muitos latidos.  Pois é. O “criador” de jamón é o próprio. Assim como acontecera com o cavalo de Tolstói. 

 A sua – de Jamón –  história é contada por quem viveu o cão e, corajosamente, não escondeu nada de sua vida. Uma vida de cão que muitos,  com ou sem cão em casa para fazer uma comparação, gostariam de viver.

Vou de leitura em popa. Mais tarde, cabeça mais tranquila, filho em casa em plena recuperação, conto mais. Não é promessa, pois, prometo não fazer essa aqui. É um desejo. Apenas.

Esse conhecimento da vida e “pensamento” de um cão, por esse amigo e adestrador de caninos, lembrou-me o papo entre Tolstói e o seu amigo Ivan Turgueiniev, sobre o “escritor-cavalo”. O homem ficou tão admirado com a sua – dele, de Tolstói – história narrada na pele e alma (sic) de um cavalo, que chegou a lhe perguntar se esse já fora cavalo um dia.

Pausa.

- E aí, poetamigo, já foste cão um dia?!

francci-1

Deixo a pergunta no ar. Ou melhor: neste espaço.

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