O DIA EM QUE TORQUATO NETO FOI PARA NÃO VOLTAR…

Torquato Neto ainda é um desconhecido para muitos. Infelizmente. Apenas se conhece de Torquato  o  que se  diz e  o que se conta dele e das    poucas letras de música que  deixou. Torquato não deixou livro escrito.

Dizem alguns que se não fosse o movimento tropicalista, ninguém saberia quem foi Torquato Neto. Não acredito. Embora não negando que os baianos – Caetano Veloso e Gilberto Gil – contribuíram muito para descoberta de Torquato,  mesmo sem  eles, Torquato  descoberto  seria um dia.

Mesmo também  não fossem as suas composições famosas, todas em parceria, por exemplo, a canção-manifesto do movimento, Geleia Geral, Louvação, Mamãe coragem, Pra dizer adeus, Veleiro (com Edu Lobo), Rancho da Rosa Encarnada, com Geraldo Vandré e Gilberto Gil, para ficarmos por aqui, Torquato teria “acontecido”.

Neste parágrafo, só para lembrar e deixar muito bem lembrado o letrista e poeta que foi Torquato Neto por aqui,  lembro o  nosso José Américo de Almeida  que dizia no seu imortal  A Bagaceira  que “o que tem de acontecer tem muita força”.

Torquato Neto, como letrista e poeta, provou que  muita força ele tinha. E aconteceria “naturalmente”.

Mas somente Deus, esse em que acredito, seria capaz de explicar a despedida do poeta. Mistério? Ora bolas! Esse sempre há  de pintar por aí!  Pausa. E por aqui!Foi assim.

Um dia, logo após fazer 28 anos de idade, Torquato decidiu que não dava mais pra segurar: trocaria de roupa e se mudaria para outra cidade! E  não deu outra!  E até nessa ultima decisão foi incapaz de ficar indeciso e não cumprir o prometido. Prometera a quem? Ora bolas!  A ele mesmo!

Tudo muito simples.

 Torquato que nunca fora de complicar a vida não iria se despedir desta cidade complicando a sua. Voltou da festa (de aniversário?!) com a mulher, e ela, sem imaginar jamais o que estaria se passando na sua – do Torquato Neto – cabeça, cansada, pois devem ter dançado até o sapato pedir para parar (sei do cacófato,) foi dormir.Torquato, porem, e acordado,  vendo que a mulher dormia, resolveu ir dormir para nunca mais acordar por aqui.E assim,  devagarzinho para não acordá-la, entrou no banheiro, ligou o gás e… Deu descarga na vida!

No outro dia, bem cedinho, antes mesmo de sua – dele – mulher descobrir que ele  trocou de roupa e  mudara para outra cidade, a empregada gritou:

- Torquato não mora mais aqui!

Mas Torquato não foi sem “dizer adeus”. Disse.  Um suicida que é verdadeiramente suicida, sobretudo sendo esse suicida um poeta, deixa sempre um  bilhete. E Torquato deixou:

“Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar”.

Em tempo: era o dia 10/11/1972 (nasceu em 09/11/1944). E Thiago era o filho de três anos de idade.

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