O enigma Marina Silva: a Monalisa que não ri (Fabrício Carpinejar)

O enigma Marina Silva: a Monalisa que não ri (Fabrício Carpinejar)

Eu Plural: assim que abri este nosso singular Plural, manhãzinha ainda, os olhos ainda quase fechados deparei-me com esse imeio enviado pela boa e distante – mas sempre próxima – Volia Nielsen. O que eu fiz? Ora, tudo que vem de lá, isto é, de terras outras não brasileiras e enviado por ela merece uma lida de primeira. Li. A boa análise de Fabrício Carpinejar sobre Marina, completando com outra do Lula que por enquanto não cabe neste espaço, pois, Marina, a candidatada que despencou nas pesquisas (o porquê) foi muito melhor. Se achei boa? Arretada! Tanto que não resisti: segue espalhada em nosso singular Espaço Plural! Obrigado, Volia, o espaço estará sempre aberto pra ti! Pausa. Ou seria 1berto? Putabraço!- 1berto de Almeida

 O enigma Marina Silva: a Monalisa que não ri

 

O que fez a Marina Silva despencar nas pesquisas (quando já chegou a ultrapassar Dilma) e não participar do segundo turno?

Raciocina comigo.

Ela é lutadora, veio de baixo, saiu de uma infância pobre no Seringal Bagaço, localizado nos arredores de Rio Branco, é honesta e correta, ajudou a fundar a CUT no Acre, venceu preconceitos como o machismo, herdou de seu amigo Chico Mendes o ardor pela defesa ambiental e o combate pela ganância nos seringais, foi vereadora, deputada estadual e senadora, eleita sempre com votações recordes, carrega uma passagem marcante à frente do Ministério do Meio Ambiente, entre janeiro de 2003 e maio de 2008.

Tem todas as credenciais, superiores às de Lula, para ser vista como uma candidata absolutamente confiável. Nunca cedeu a corrupção, em nenhum momento aceitou conchavos e atalhos eleitoreiros, não cedeu aos encantos do corporativismo das votações na Câmara e no Senado, não enriqueceu durante sua vida pública.

Então, por que o eleitor pensou três vezes antes de votar nela, a ponto de não votar?

Ela não ri. Marina Silva não ri. Não se diverte. Parece que está permanentemente casmurra, sofrendo, concentrada, mergulhada em pensamentos sombrios e complexos.

Não tem malícia, não tem ironia, é pura e direta, combativa e literal, próxima da santidade. Uma Joana D’ Arc do norte do país.

O povo deseja um político sério, mas não um político mal humorado.

Busca seriedade, mas temperada com o personalismo da graça. Alguém que instaure a conexão popular pela piada e pela anedota, pela bravata e pelo senso comum.

Pois é o riso que gera autenticidade, que suspende a encenação do poder e permite enxergar a pessoa por detrás do cargo.

Diante da ausência de humor, o eleitor fica com medo do extremismo de Marina: de sua opção evangélica, do seu lado refratário às mudanças de comportamento como aborto e casamento gay, do atavismo de suas crenças sociais.

Ela não suaviza os traços de sua convicção. Inspira um terror psicológico de que é tudo ou nada, de que jamais brinca ou erra, de que não é falível.(Fabrício Carpinejar  )

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Um comentário

  1. Humberto

    minha grande – enorme! – leitora “dinamarquesa”! ótimas lembranças! eles realmente merece ocupar – os ex-crotos também existem! – o nosso singular espaço Plural! é somente aguardar a vez deles! não vai demorar! é que este Malabarista de Palavras anda preparando um “capa dura” do irmão e outro dele, isto é, do Malabarista! Obrigada pela leitura e ótimas colaborações! Putabraço!

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