O Mirim Parlmentar e  Zé Chapa-Municipal

O Mirim Parlmentar e Zé Chapa-Municipal

A “Carta de um velho amigo”, escrita em fevereiro de 2018, assinada por Zé Chapa-Branca e publicada no excelente Blog de Rubens Nóbrega, o Blog do Rubão, assim meio sem querer, mas querendo, lembrou-me outro escritor anônimo, esse conhecido meu, motorista de um dos nossos ilustres “edis ou parlamentares-mirins” (risos).

Mas, antes de prosseguir, aviso que  o autor da carta não gosta de ser chamado,  como o “amigo” de Rubens, de “  Zé Chapa-Municipal”.  Verdade. Eu gostaria.  Acho um codinome arretado.  Conte apenas a minha história.   Pede-me assim, sem muito protocolo, como diria o meu velho pai, o compadre Heráclito de Almeida.

Conta-me  que foi motorista de um “parlamentar-mirim” – e ponham mirim nisso! – por toda sua vida. Pausa. Vou entregar logo a sua condição: ele ainda não trocou de roupa e foi morar noutra cidade. Pois bem. Se o leitor me permitir, esse único que acredito ter, passarei a contar sua – dele – história no próximo parágrafo.

Um dia, “motoristando” para a mulher, ou melhor, para  a “madame” do mirim parlamente, pois era assim que era obrigdo a tratar  sua – do parlamentar –  digníssima e vazia esposa, chovendo a cântaros, para não molhar o seu – dela – vestido, esse feito sob encomenda, e os sapatos de pele de urso, por aí, determinou que o pobre “escravo” Zé Chapa-Municipal, permitam-me chamá-lo assim, saísse de sua sela, o banco de motorista, esse que  bem poderia ser chamado também de “cela”, e fosse lhe abrir a porta, munido de um soberbo guarda-chuva.

 Que sacana! Que sacripanta!

Até ai, ele me conta, tudo bem. Havia um “soberbo guarda-chuva”.  E quando ,sem esse “soberbo guarda-chuva, ele era obrigado, chovendo ainda a cântaros – aproveitando a bela expressão – a lhe abrir a porta do carro, para ela, a primeira-dama e  “madame”, entrar em casa pela porta da frente?!

Ele, Zé  Chapa -Municipal – não consigo encontrar um melhor codinome -, também me contou das muitas  vezes que serviu de “laranja” para o seu patrão e mirim parlamentar.  Como ?! Fingi que não entendia. Então ele  foi mais longe: “recebia” no contracheque mais de RS 10 mil, mas ficava apenas com RS1 reais!

 Recebia?!

Vendo somente interrogações em meus olhos curiosos, pediu-me  que escrevesse o verbo – “recebia” – entre aspas. Ah, entendi! No princípio, brinquei, era o verbo, mas, agora, materializado o recebido e atualizada a metáfora, por aí, era a “verba”.  Ou seja, trocando em miúdos, ele recebia os R$ 10 mil no contracheque, e repassava para o seu patrão parlamentar e mirim“apenas” nove paus!

O Zé Chapa-Municipal tinha momentos em que não conseguiu esconder a frustração e o desânimo. A vontade de acabar com a vida antes que essa resolvesse acabar. Até que um dia, a mulher em casa, essa sem nada de “madame”, vira o seu contracheque, e soltou as cobras:

- Como?! Você ganhando todo esse dinheiro por mês, deixa ainda faltar o leite de sua filha?!

Ainda procurou encontrar uma desculpa para não “entregar” a sacanagem do patrão mirim, dizendo que não era verdade o que ele estava vendo ali  e outras negativas. Então que explicasse e melhor.  Lascou!  Não sabia como explicar.Foi aí que, entre o servilismo e a confiança, contou-lhe toda a verdade.

Decepção!

A mulher então lhe disse que iria àquela Casa que um dia pensara “ser do povo”, e, lembrando a verba, o verbo soltaria. Bateu o desespero. Se ela fizesse isso, ponderou, perderia o emprego;    e ele, o parlamentar “amigo”,  a mamata e, quem sabe, o mandato.

Falou ainda que um dia, sentindo-se “chupado”, pois não passava de um pobre “laranja”, resolveu, acatando  sugestão de um conhecido advogado, registrar o seu contracheque em cartório. Bomba! Foi um Deus nos acuda!   Foi aí   que,  chegando o fim do mês, somente autoridade, o parlamentar-mirim (não aguento: gargalho) pediu a “parte” dele. Que parte?! Respondeu firme como a pedra que o Senhor disse ser Pedro, o  que está no meu contracheque me pertence!

Em tempo: Sentiram? Um dia, se vocês quiserem, conto o resto.

político laranja dois

 

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