O oxímoro também é um oxímoro ou de conversa em conversa!

O oxímoro também é um oxímoro ou de conversa em conversa!

# - amanheço com aquela sensação de que deveria continuar deitado. Não dormindo. Dentro do meu banheiro espelhado, reflito: ainda hoje quando se fala em cultura para os nossos governantes/administradores ou coisas que “não” o valham, sinto que mais que antes, com a decisão do Capitão de liberar a compra e posse de arma para um povo sem dinheiro e sem posse de quase nada ou nada mesmo, a vontade deles é de sacar uma metralhadora. Nada de culturaoximororevolver, uma metralhadora.

# – a cultura… lembrei o filósofo dos “ombros largos”: “Não há ninguém, mesmo sem cultura, que não se torne poeta quando o Amor toma conta dele“.  Camus, o Albert, também dizia que sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro.

# – deixo de lado a cultura ora espalhada na minha sala-pensante, e lembro das nossas caminhadas matinais pela orla desta bela cidade apelidada feiamente de “Jampa”. Não esquecer que falei “nossas”. A Rosa e eu.  O mar…Desculpem. Tenho a mania de tergiversar quando lembro ou vejo o mar. E agora estamos vendo. Tergiverso. Drummond, sempre, Drummond!  “O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.” A Rosa ao lado.

# – falei nas caminhadas matinais. O papo entre os passantes são todos água. Ou quase todos. Nada consistente. Uma velhinha com a cara da minha mãe pergunta ao seu – dela – acompanhante se no mar tem tatu e guaiamum. Sinto que esse talvez seja o seu primeiro e o último olhar para esse mundo de água salgada. Tatu e guaiamum!  Sorrio. Não tiraria dela essa ilusão. Diria que no mar mora uma floresta, e que os “bichos” da arca de Noé, todos, peixes em humberto mar doisespecial, ainda vivem morando ali.

# – a Rosa e eu continuamos a caminhar. Olhares fixos. Fitamos o horizonte. Nada a ver com a nossa altura. Ela com a sua – dela –  bela altura, e eu quase dois metros. A bela é ela. Pausa.  Passam alguns colegas, velho colegas, mas, talvez pela falta de óculos que diminuam a nossa distância, não nos conhecem. A mim em especial. Velhos companheiros de redação. Petrônio souto. Fernando Melo. Zé Euflávio… Sigo contando com o olhar molhado de mar.

# – prometi e, sem o menor dos esforços, consegui até agora manter a promessa. O espaço-facebook já foi por um bom tempo um espaço meu. Não é mais. Não sinto dele a menor falta. Voltei aos meus livros, discos e filmes. A propósito, com a Rosa ao lado, assisti a um filminho longo como um dia de fome. “A vida no paraíso” é um filminho velho e longo como um dia de fome. Repito. Vem lá do ano de 2004. Sueco. O enredo é velho e chato.  Tão lembrados de Chocolate? Teorema? Isso mesmo! Um cara aparece numa cidadezinha do interior, e mexe com todo mundo. Pausa. Como está o nosso crítico-mor e amigo João Batista de Brito?  O que tenho sabido vem através do poetamigo e excelente caráter e não mesmo exceleste poeta Sérgio de Castro Pinto. Ah, Cineminha, o Ivan, aquele que vocês conhecem, também notícias tem me enviado. Pararam…Por quê?

# – sairei daqui a pouco para falar – se possível – com os mestres imortais Damião Ramos e Itapuan Botto Targino. Pausa. Algum dos meus dois leitores saberia dizer onde encontrá-los? Não sei. Confesso não saber. Às vezes que com eles encontrei, foi na casa deles e de outros amigos imortais. Confesso que não sei. Projetos?  Não. Papo sobre os mesmos.

# – Tião Lucena, Aldo Lopes e Paulo Mariano.  O que eles tem em comum? Os textos. Acho arretados. O Paulo, infelizmente, deixou escrito o muito que tinha para dizer, coisas boas, excelentes “causos”, pagou a conta do bar e foi morar noutra cidade. Trocou de roupa. Mas, sem nenhuma dúvida, cumpriu o seu papel. E muito bem. Ressalte-se. Tião e Aldo, para a alegria de muitos, especialmente deste Malabarista de Palavras, continuam por aqui mostrando como se escreve fácil e, sem cair no lugar comum, o quanto escrever fácil é difícil.

# – o tempo que passo cuidando da Rosa, faz valer mais ainda ter um jardim dentro de mim. Coisa de poeta? Acho que não. Mais de louco. Loucura. Essa que todos tem um pouco e sempre desejei um muito em mim. O mundo, se não disseram eu digo agora, foi criado para os loucos. Os lúcidos vivem nele com medo. Buscam a felicidade e, quando a encontram, percebem que não era isso que procuravam.  A fama. A riqueza. O poder. Descobrem que a felicidade que eles procuravam está nessas coisas. Muitos deles dão aos filhos um carro esporte, do ano, quando na verdade esses, os seus filhos, precisavam mesmo é de amor. Os lúcidos…ROSABELA EM LUCENA DOIS

# fazia um bom tempo que não exercitavam esses dedos malabaristas. Leio, assisto a filmes e escuto música. Estamos serenos. Em paz. Seria melhor dizer que pétala por pétala sigo descobrindo e vivendo as histórias da Rosa.  Lazer e bem-estar. Sempre estamos bem. Ou quase sempre. Pois, afinal, ninguém é de ferro. Ninguém! Nem Drummond. A Rosa   sabe que a minha vida é um livro… 1berto!  Especialmente para ela. Volto aos meus discos, livros e filmes, confessando que estou sempre atrasado nesses nossos velhos encontros. Mas não é para menos, Eles sabem. Ando ausente de mim. Tanto que tenho marcado encontro comigo, e tenho faltado. É a vida. A nossa.

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