O QUE ESSA COISA CHAMADA “ESTADO ISLÂMICO” ?

O Estado Islâmico (EI) é um grupo radical sunita (um dos ramos do Islamismo) regido pelo autoproclamado califa (sucessor de Maomé) Abu Bakr al-Bagdadi. Atualmente, domina áreas do Iraque e da Síria, impondo uma visão radical e distorcida do Islamismo.

O grupo foi criado a partir do braço iraquiano da Al-Qaeda, rede responsável pelos ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Mas os movimentos têm relações rompidas desde 2014.

Seu surgimento começou com a queda do regime de Saddam Hussein no Iraque, e o grupo voltou a crescer após a guerra civil na Síria, quando os membros do EI se juntaram aos rebeldes para lutar contra o governo de Bashar al-Assad.

Mas o objetivo do EI passou a ser a conquista cada vez maior de territórios, para impor sua interpretação do islã, de uma forma considerada muito brutal até mesmo para a Al-Qaeda.

O grupo tem atraído milhares de jovens pelo mundo com uma rede de propaganda maciça e vídeos de crueldades e decapitações. O grupo extremista prega o combate ao Ocidente e considera “infiéis” todos aqueles que discordam de sua visão de um islã puro.

Apesar de sunita, corrente majoritária do islã, o EI segue uma leitura radical das escrituras islâmicas. Com uma visão sectária antixiita, seu objetivo é impor a Sharia, a antiga lei islâmica, de forma rígida aos territórios dominados.

Abu Bakr Al-Baghdadi, autodenominado califa do Estado Islâmico, aparece em vídeo publicado pelos jihadistas (Foto: AFP/Al Furqan Media)Abu Bakr Al-Baghdadi, autodenominado califa do
Estado Islâmico, aparece em vídeo publicado pelos
jihadistas (Foto: AFP/Al Furqan Media)

O grupo também exige que todos jurem lealdade a seu líder, com pagamento de impostos, cumprimento de suas proibições e interpretação radical da religião islâmica. Quem desobedece é alvo de penas, como torturas, a decapitação e a morte.

O grupo já prometeu “romper as fronteiras” do Líbano e da Jordânia com o objetivo de “libertar a Palestina”, e, para isso, tem pedido apoio de todo o mundo muçulmano. Nos últimos meses, no entanto, devido à resistência curda e aos ataques da coalizão internacional liderada pelos EUA, tem perdido território.

Sua intenção de fundar um Estado Islâmico também culminou em atentados como os de Paris, cidade que a facção considera a “capital do vício e da prostituição”.

Estrutura
O Estado Islâmico é um califado, ou seja, uma nação regida por um líder político e religioso que se baseia na sharia. O grupo dividiu o território que controla na Síria e no Iraque em regiões que são dirigidas por governadores e que possuem suas próprias estruturas militares e administrativas.

O califado tem um conselho composto por dirigentes do Estado Islâmico, que aconselham Bagdadi e aplicam suas ordens. Há também outros conselhos para temas específicos, como assuntos militares, de segurança, de finanças e de mídia.

A estrutura conta ainda com comandantes militares e um porta-voz, Mohamed al-Adnani, que costuma divulgar mensagens em áudio sobre o Estado Islâmico e suas ofensivas.

Autoridades americanas acreditam que o Estado Islâmico tenha cerca de 15 mil guerrilheiros. Segundo uma reportagem da revista “The Economist”, cada um recebe um salário de US$ 400 mensais, valor bem superior ao que grupos jihadistas iraquianos ou que o Exército sírio pagam a seus combatentes. Além de uma contribuição mensal, os militantes recebem dinheiro ao se casar, para ajudá-los a começar uma família.

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