O Rio dos Heráclitos

O Rio dos Heráclitos

Uma vez escrevi aqui que o rio Jaguaribe – esse que dá nome ao bairro em que nasci –  é muito mais belo do que o Tejo do Fernando Pessoa que não conheço e que se conhecesse confesso que continuaria achando o meu Jaguaribe mais belo do que ele.

Leio em um dos nossos jornais provincianos que estão querendo trazer o Jaguaribe de volta. É mentira! Um rio, assim como um homem, a cada segundo deixa de ser o mesmo rio. Todo o rio, indistintamente, segue sempre para frente. Não volta jamais.

O homem, por sua vez, mesmo trazendo no peito a criança que fora um dia nunca será o mesmo homem nem a criança a mesma. Não adianta: o Jaguaribe, o meu rio, nunca será o mesmo! E este homem coerente com o rio de sua aldeia há muito que deixou de ser o mesmo.

Heráclito de Almeida, o meu pai, sempre soube disso e me deu as pedras. Mas foi outro Heráclito, o de Éfeso, quem matou a charada.

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2 comentários

  1. Sucinto e belo texto. Mesclado de poesia e nostalgia sublimar, que só aqueles que conhecem teu estilo têm o prazer de absorvê-lo!

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