O ULTIMO TEXTO DE MOLINA RIBEIRO QUE DORMIA NA CAIXA DO PEITO AMIGO
jornalista e escritora molina ribeiro

O ULTIMO TEXTO DE MOLINA RIBEIRO QUE DORMIA NA CAIXA DO PEITO AMIGO

Eu Plural: Somente agora, preocupado com a vida que ando, pois. Mesmo quando não quero ela me pede pra ser vivida, soube da troca de roupa e mudança para outra cidade da minha amiga Molina Ribeiro Há muito que me acostumei com essas trocas e mudanças. Mas uma mudança repentina de parente ou amigo, mesmo que não queiramos, nos pega de surpresa. E ficamos com aquele vazio dela, dessa pessoa, dentro do peito. Fazia um bom tempo que não encontrava Molina, a fiel escudeira e amiga do poeta Polínio Alves. Ah, como gostava dos textos dela. Muito. Não sei se esse foi publicado. Acredito que sim. Um excelente texto. Não queria transcrever o seu carinhoso e generoso bilhete, mas sabendo que Molina era uma pessoa inteira, sem nada a esconder, pensei e achei por bem espalhar neste espaço a amiga e jornalista e escritora por completo.  Foi o seu último contato, via imeio (sic), com este “Malabarista de Palavras”. Que a terra lhe seja leve. Somente algodão feito de papel com os seus bons textos. Só mais uma coisa: a poetisa mereceu o texto. – 1berto de Almeida 

Querido Humberto Almeida,

Depois de um longo e tenebroso inverno lhe descubro como o melhor colunista de A UNIÃO, prazer enorme! Quero lhe pedir para você encaminhar para publicação o meu artigo sobre o livro de Sônia van dicjk. Muito lhe agradeço pela atenção. Um grande abraço” – Molina Ribeiro.

 

.VERSOS E (RE) VERSOS DE SÔNIA VAN Dijck

Molina Ribeiro

É um povo que cria um grande poeta ou é uma extraordinária sensibilidade poética que cria um povo?

Os (Re) Versos de Sônia van Dijck, misto de filosofia, poesia, teatro e analise artística, – fragmentos e páginas soltas, merece tornar-se livro de cabeceira para o ator ou a pessoa interessada em conhecer a professora e critica por trás, da poeta e outros títulos que virão para confirmar sua participação na história da arte que marcou a produção brasileira contemporânea.

Livro. Desses para serem lidos e relidos a exaustão, devido à qualidade e profundidade dos poemas-reflexões que reúne.

A arte é um fazer que transforma… A arte é uma atividade e um trabalho, é criação que transforma e interpreta o mundo em que vivemos. Arranjos de palavras, no caso da \Literatura.

“Ano Novo” – no fim dos dias/não faço planos/faço balanço/e tudo lanço/em perdas e danos/com pouca chance/eu vou entrando/no novo ano”. “Continuação” – as histórias findas /muito mais que lidas/ fazem memória /de tão curta vida.

A autora com seus poemas representa ao longo do tempo, com idéias e ferramentas, na pedra na tela, no bronze a obra de arte vai se inspirando na realidade e inspirando outras obras de arte.

A poeta com sua sensibilidade, capta o mundo como se tivesse antenas.

Pode ou não ter vivenciado determinada experiência – amor, ódio, fome, guerra, morte mas dela se apodera como se fosse sua.

A matéria prima da arte é a própria vida, transmitida em literatura por meio das palavras. A arte é o rearranjo da realidade, conforme, a sensibilidade do artista. Escrever é dar formas as idéias.

Essa colocação expõe o centro das dúvidas. A arte seria para ela, então, talvez a única esperança de alguma realização em meio ao impasse eterno da dúvida e da tristeza. E o que tem o ator – poeta a ver com tudo isso? Exatamente o que expressa o (Re) Versos – histrião, ator, poeta. Aquele capaz de desvelar e elaborar em forma de arte os jogos de falsos espelhos e mediocridades em que os processos culturais tem jogado o homem no correr da história.

(Re) Versos uma declaração de amor ao ator com o seu prefacio, pela professora Maria Vilani de Sousa, quando afirma a capacidade da autora de despertar no homem mais duro e cruel aquele minúsculo recanto em que uma memória de amor lhe devolve a humanidade.

(Re) Versos – Sônia van Dijck, em seus poemas vê-se na verdade no calor na umidade, na solidão, na saudade, nas cores, no cheiro, nas pessoas… Sua inspiração é de uma riqueza fascinante. Apaixonei-me verdadeiramente por ele, e o recomendo, leia-o. É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li

Em tempo: esse muito bom texto de Molina foi publicado em 02 de abril de 2016. É que mexendo nos meus alfarrábios o encontrei, a lembrança veio e não pude segurar: republico-o agora.

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