Onde era que eu estava mesmo ?!

Onde era que eu estava mesmo ?!

Um dos meus dois leitores me envia imeio (sic) perguntando onde eu estava e o que fazia no fatídico dia 31 de março de 1964. No ano de 1964?! Ora bolas! Não fazia nem muito tempo que saíra do cueiro listrado com que a minha mãe Dona Chiquinha costumava me enrolar nas noites frias do meu bairro.

 Também não vou dizer que participei da “revolução” – muitos ainda chamam assim o “Golpe Militar” de 1964 – e briguei e matei mais gente que o ex-coronel Paulo Malhães. Nunca!  

 Nesse dia, 31 de Março de 1964, ainda era um menino-jaguaribe morando na mesma casa onde nasci, na Rua 12 de Outubro, Vila dos Motoristas, no meu bairro Jaguaribe.

  Se eu disser que vi muitos tanques nas ruas e que homens de verde bateram na minha porta – “na” mesma – procurando por mim ou um dos meus irmãos que pudesse estar participando da “Luta Armada” em defesa da democracia estarei mentindo.

  Golpe?! Que Golpe ?! Os únicos golpes que eu conhecia eram os do machado do meu irmão mais velho João Heráclito, desferidos nos troncos de madeira que ele trazia não sei de onde para fazer a nossa tradicional Fogueira de São João.

 Revolução?! Somente viria a saber o que era quatro anos depois, em 1968, ouvindo o excelente Álbum Branco dos Beatles, na casa de Ronaldo Justino, no bairro da Torre. Seria aquela a revolução da qual tanto se falava por aqui?  “Você diz que quer uma revolução /Bem, você sabe…”

 Era a revolução do Beatles! 

Todos nós queríamos – e queremos ainda – mudar o mundo!

 Lembro-me o quanto corri para saber o que eles estavam dizendo sobre a Revolução lá – dos Beatles – deles.

 Mas sem sair do Golpe que muitos ainda insistem por desconhecimento puro chamar de Revolução, se soubesse o gosto que hoje eu sei de uma “lourinha” suave ou da soltura de um “cachorro engarrafado”, podem acreditar: não abriria a mão desse prazer molhado!

  E assim, molhado de chuva, suor e cerveja, faria “uma revolução”. Uma farra! Assim faria a minha revolução!

 (Ainda morro de tanto sorrir para ressuscitar gargalhando).

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