Os tempos em que o país era feito por nós de chuteiras

Os tempos em que o país era feito por nós de chuteiras

Não adianta. A seleção do Tite me empolga menos que o meu Flamengo. Seja esse com pernas de pau como Alex Muralha ou Berrio. Sem os Diego, Rodrigo Caio e Everton.  Passou aquele tempo em que eu saía às ruas para gritar” é campeão! é campeão! é campeão!”, achando que o país era feito por nós de chuteiras.  Passou.

Na verdade, curioso leitor, esse que vive a perguntar o porquê desse Malabarista de Palavras gostar de refletir diante do espelho do seu – isto é, meu – banheiro, nunca fui de sair gritando “é campeão!” por ai. Vou mais fundo? Vou: os que me conhecem, sabem que nunca fui de gritar. Falo baixo. Apesar de carregar quase dois metros de altura.

 Assisti a vitória do Brasil sobre a Argentina, essa seleçãozinha do professoral Tite, que em chatice somente perde – por pouco – para o Galvão e Neto, esse, o segundo, que nunca passou de um jogadorzinho comum, às vezes mesmo medíocre, sem nem um calorzinho nos países baixos. Tento, confesso, insisto às vezes, falando sério, como um dia fizera o Chico Buarque, e não encontro um só motivo para torcer pela seleção do Tite.

 Vim para este parágrafo, apenas para lembrar, dispensando o árbitro de vídeo, esse “futebolisticamente correto” que tira todas as velhas dúvidas que tornavam mais gostosas as disputas, que o Gabriel Jesus, um craque para poucos, é mais medíocre do que julga a vã filosofia dos nossos comentaristas esportivos. Um jogador pra lá de comum. Parágrafo.

 Tudo bem que fora do campo, seja esse um conhecedor ou não desse esporte que muitos chamam Bretão, mas que na verdade é Chinês, não duvidem, todos são craques. São Pelé e, no mínimo uma perna torta do Garrincha. Algumas afirmações, porém, essas que doem mais que uma furada de espinho de maria-segunda na pupila de um olho que vê, são de tirar o bom São Severino do Ramo.

 Ora, o brasileiro afirmar que Neymar – dessa vez é mais que um rima –  não faz falta nessa pífia seleção do chatíssimo Tite, e que temos um time capaz de nos empolgar mais quem uma disputa amistosa entre o meu flamengo e esse Corinthians que nunca será meu, data vênia, cebolinhatodas desse mundo, é não perceber que esse Everton, o Cebolinha, somente seria titular numa seleção dirigida por Mônica, mas escalada pelo Mauricio de Sousa.  Os amantes do futebol de Zico, Reinaldo, Romário e Ronaldo (os dois), para ficarmos por aqui, choram todas às vezes que ele, o Cebolinha, entra em campo.

 Se desejo a seleção do insuportável Tite campeã? Nem digo que sim, nem que não. A ordem das minhas coisas não será mudada com isso. Se campeã, podem ter certeza, não me sentirei assim também.  Não acharei – como nas outras vezes assim também não achei – essa uma conquista essencial, indispensável à alegria desse povo sentimental e herdeiro no sangue lusitano de uma boa dose de lirismo. Ah, além da sífilis, claro.

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