Papo no querubim bar

Papo no querubim bar

O restaurante é do tipo que podemos chamar de “peba”. Um restaurante peba. O garçom, apenas um, sem roupa de garçom, fala com todos como se esses fossem parceiros seus. Todos amigos. Velhos conhecidos. E ai, qual a cachaça?

– Não vou beber cachaça.

– Então vai de quê?

– Hoje vou de ônibus.

Ele me olhou com aquele olhar de “não entendi nada”.

– Almoçar?

– Não, estou almoçado.

-…

– Tem água?

– Com ou sem gás?

– Eu quero saber se tem água aqui.

– Ah, se for água-água, infelizmente não. A Cagepa cortou.

– Se cortou é porque não pagaram a Cagepa…

– Não. O dono do bar é pontual. Nunca deixa nada atrasar.

– Por que então a Cagepa cortou a água?

– Eu quis dizer que a Cagepa cortou o nosso barato.

Não entendi. Ele sentiu.

– O sonho do dono do bar era ligar o cano de água até o quintal.

Ainda continuei sem entender.

– Aqui nunca teve água da Cagepa. Ela alega que não dá pra puxar extensão.

– E como vocês lavam pratos, copos e outros?

– A gente não lava, passa somente o pano.

– Não lavam?! E a comida é feita como?!

– Não fazemos nada aqui. Tudo é feito na casa do dono do bar. A gente apenas esquenta.

– Então não existe nada fresco por aqui?

– Como?! Fresco?!

– Sim, fresco!

– Ah, serve o dono do bar?

Não entendi. Ou entendi muito bem.  Não. O dono do bar não servia. A minha pergunta não foi nem sentido e o meu gosto, caso nesse sentido fosse, é outro.

Fim de papo.

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