Pare o mundo que ele quer descer: O Maluco Beleza faria 70 anos!
Raul Seixas visto pelo genial William Medeiros

Pare o mundo que ele quer descer: O Maluco Beleza faria 70 anos!

Sempre gostei do tipo maluco do Raul Seixas. Um tipo, como diriam mais tarde, beleza: Maluco Beleza. Mas, nesse tempo que aprendi a gostar de Raul Seixas, também tenho notado a facilidade de “idólatra + ação” do povo do Mandiocão, como agora descobriu a presidente Dilma. Triste de um país que precisa de heróis. O nosso, infelizmente, não vive sem um.

Vez por outra, mesmo antes deste dia em que aniversaria o maluco beleza, 28 de junho, data esta que se estivesse vestindo a roupa que ainda visto e morando nesta cidade estaria fazendo 70 anos, tenho passeado pelas “grandes frases” do filosofo baiano cantadas em versos e trovas pelos seus milhares – quem sabe milhão – de fãs espalhados principalmente por aqui. Em alhures? Alguns devem existir.

As frases do “pensador” Raul Seixas, apesar de umas boas descobertas, assim como entre muitos chutes o Nostradamus acertou alguns no gol, se ditas por outra pessoa que não tivesse nada de “maluco” nem de beleza, podem apostar – não passariam de delirium tremens ou não.

Frases como, por exemplo, “Nada mais é coerente se virar de trás pra frente, tanto fez como tanto faz”, para mim e tantos outros que também conhecem as “filosofias” do bom baiano tanto faz como tanto fez. Se a frase não tivesse sido dito – uma frase feita, talvez – nenhuma importância ela teria.

Raul Seixas era assim, a sua maneira, o que o puto poeta Paulo Leminski foi enquanto morava por aqui. Mas, esperem aí! Paulo era realmente um poeta! O que Raul nunca foi. Um letrista. Apenas. A lembrança só veio à minha cabeça por essa sacada maravilhosa do poeta curitibano, o samurai de uma poesia curta e direta: “Não discuto com o destino o que pintar eu assino”. Raul também não discutia.

Raul Seixas era um sujeito que sabia que o tipo criado por ele agradava aos muitos que gostariam de ser o tipo que ele era, mas não encontrava espaço para isso. Era o herói de muitos que não tinham as suas – dele armas para cortar de uma só vez todas as cobras da cabeça da Medusa. E, se não bastasse, mesmo desarmado pela droga, Raul saía atirando pra todos os lados. O alvo era o que menos lhe interessava.

Os seus tiros poderiam ser, por exemplo, contra O positivo de Augusto Comte – “A desobediência é uma virtude necessária à criatividade” -, esse onde a Ordem para muitos é sinônimo de atraso. Ora, onde existe ordem, esses pensam, não pode existir progresso. Também aproveitava os provérbios mais populares, a sua maneira, como aquele famoso em vaticina que “a união faz a força”, para dizer que “A formiga é pequena, mas elas são um exército quando juntas”.

Entre as composições do Maluco Beleza, particularmente, sem querer entrar nas muitas letras feitas por ele que se nada dizem, dizem muito pouco, são poucas as que fariam parte da minha coleção de música brasileira, que se encontra ao lado das coleções de Beatles e Pink Floyd. Um clássico de Raul Seixas ? Não acho que Raul Seixas tenha clássicos na acepção maior da palavra.

A verdade é que Raul Seixas é mais lembrado pelas suas atitudes, que mesmo pela sua obra. Todos os seus fãs, com raras exceções, se não sonhassem em ser um dia o ídolo, ainda hoje vivem por aí desejando ser uma “metamorfose ambulante”. Raul valeu mais pela sua história. Um maluco beleza que conseguiu enganar muito bem no papel de Raul Seixas. Um ator. Um bom ator.

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