Pelé, assim como o Maradona, também fez gol com a mão
o de chapéu é o meu craque Heráclito de Almeida

Pelé, assim como o Maradona, também fez gol com a mão

Lembro perfeitamente o dia. Era um 14 de novembro de 1969. Não fazia muito tempo que o menino-jaguaribe tinha a deixado os cueiros. O meu pai Compadre Heráclito era uma espécie de “serviço prestado” à nossa Federação Paraibana de Futebol. O porteiro que nos dias de jogo – sempre foi assim – abria os braços e os portões do estádio Jose Américo de Almeida para crianças e amigos mais chegados. Tudo, porém, dentro do permitido “por ele”.

Estádio José Américo de Almeida Ali vi o Pelé pela primeira e única a vez. Não precisava ver mais ao vivo em preto e branco. Mais preto, claro. Assim como este MB. Vi bem pertinho. Estava no vestiário ao lado de outro craques e ele subordinados. Isso mesmo: todos mal levantam os olhos para aquele “rei” de mentira. Uma exceção: ouvi quando Clodoaldo, esse um gentleman e excelente volante, o chamo pelo nome de batismo. Nada de pele. Edson. E ele, assim meio constrangido, foi o que percebi, atendeu ao “menino”.

 O time do Santos era um timaço. Agora, décadas depois, eu que pouco ou nenhuma importância dava ao futebol, cresci e aprendi o que vem a ser esse “timaço”. Uma exemplo atual? O meu Flamengo.

Não posso aqui negar que nunca gostei do Edson, o dono do Pelé. Também não gostei mais ainda dessa idiotice do Edson em falar no Pelé como esse fosse outra pessoa: Numa terceira. Um deus ou algo outro tão poderoso. “As pessoas tentam encontrar um novo Pelé, mas isso não pode ser”. Um chato ou imbecil, pergunto e uma resposta me chega aos ouvidos: ambos.

Saio das lembranças. Volto à minha ilha cercada de livros, discos e filmes por todos os lados.  Esqueço, por enquanto, a minha dor. Não brinquem. É fácil demais pronunciar a pegajosa e abominável frase “ele descansou”, quando ainda estamos cansados.  Mais pegajoso e abominável ainda é a tal de “a vida continua”. Pimenta nos olhos do outros é colírio feito da mais doce das graviolas. Nada de refresco, agora é suco.  

Pouco tempo depois, o meu pai ainda morando por aqui e vestindo essa roupa que ainda visto, Pelé consegue superar-se em idiotice. Sem que o Edson pudesse impedir o Pelé de abrir a composta do vaso sanitário que carrega na cabeça, saiu com essa: ““Não há ditadura no Brasil. O Brasil é um país liberal, uma terra de felicidade. Somos um povo livre. Nossos dirigentes sabem o que é melhor para nós e nos governam com tolerância e patriotismo”.  Isso no ano de 1972, Um os mais tristes anos que não desejo sofrer nunca mais.

Pelé, assim como o Maradona, também fez gol com a mão.

Compartilhar...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on Twitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*


9 + = treze

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>