Por que não entregar as batatas aos vencedor ?!

Por que não entregar as batatas aos vencedor ?!

campanha doisNos meu bons tempos de peladeiro, as pelada nunca transcorriam sem brigas entre os adversários e, não raras vezes, entre os “atletas” do mesmo time. Uma bola errada era motivo para xingar pai e mãe. Até mesmo árbitro, se árbitro essa pelada tivesse, seria chamado de ladrão,  e seria mandado tomar no próprio monossílabo. Mas todos sentiam que, soado a apito final, pai e mãe não foram tão ofendidos assim.  Nessas peladas,  afinal,  as ofensas eram tão naturais quanto os gritos de “mete o pau” e “não deixa passar ninguém”.

Esperava que essa eleição para escolher o presidente da equipe verde-amarela fosse como uma dessas peladas que, morrendo de saudade,  acabei de lembrar.  Um chamaria o outro de ladrão e corrupto e,  terminada a eleição, votos apurados, placar definido, os candidatos apertassem as mãos e entregassem as batatas, sem nenhum rancor, ao vencedor. Tudo  sem que fosse preciso que um massacrasse o outro, matasse o outro de fome, de bala ou de vício.

  Mas as peladas da minha infância estão distantes de parecer com essa disputa que mais parece uma briga entre galos cegos e incapazes de perceber que um dos oponentes foi derrotado.  Nunca vi tanta cegueira num momento em que  que a luz do bom-senso deveria prevalecer. Se eu perdi dessa vez? Confesso que perdi. E doeu.  Mas não perdi por medo de escolher aquele lado do time que achei se parecer mais comigo. Aquele que tinha as cores da camisa que mais gosto de usar.

 Sejamos, pois, civilizados. Agora é hora de tirar as redes das traves e guardar para a próxima partida. Hora de cuidar do gramado para que daqui a quatro  anos a bola role macia e encontre com mais facilidade o caminho do gol.  Mas infelizmente isso não acontece.  Alguns “atletas” do meu time que continuam  usando a mesma camisa minha,  coração em festa e olhar altivo, fitando os montes, continuam em campo. 

Mas, infelizmente, esses não estão mais jogando bola. Agora o que vale é canelada e torcida para que o árbitro de vídeo, mesmo provando que o gol foi legal, seja considerado parcial.  Ladrão.  Não querem sair de campo.  Não querem reconhecer que a partida terminou e o estádio  se guardará para nova  disputa nos próximos quatro anos. 

 Mas, afinal, perdi a disputa? Não. Perdido estaria se não tivesse escolhido o meu time com a consciência tranquila e a certeza de que mesmo assim, perdido, mas sentisse que o jogo foi limpo, torceria para que o time vencedor fosse campeão.  Senti. Estou entre a tristeza e a melancolia. Nunca, porém, decepcionado. Outras partidas virão.  E nelas estarei com a mesma disposição de virar o jogo. Isto, claro, desde que o a vitória do meu adversário – nunca inimigo – não seja também a vitória do time do povo.

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