não acredite que com a sua partida os pássaros deixarão de semear o seu quintal com sementes de esperança

não acredite que com a sua partida os pássaros deixarão de semear o seu quintal com sementes de esperança

faz tempo que não mexo com as palavras. essas tem ficado dormindo na rede das articulações dos meus dedos malabaristas. mas somente eu sei o porquê desse estar afastado deste espaço que um dia foi o meu divã.  o motivo do afastamento? se não me sinto bem em revelar, não o revelarei.

 

não me sinto bem em revelar esse mistério doído. estranho? não. vocês não sabem o quando ainda machucado está este pobre coração. mas, por favor, não estou pedindo que respeitem a minha dor. não quero. cada dor merece o sofrer de quem a sente. e vice e verso? tudo bem. no entanto eu gosto mais do “vice o verso”?

 

outro dia não muito distante, um erudito colega que abrilhanta este espaço ao lado de outros poucos, me escreveu dizendo que eu não tinha motivos para tamanha tristeza. tamanho sentir. tudo aconteceu como acontecido deveria. tudo como vai acontecer durante todo o tempo em que estivermos vestindo essa mesma roupa de carne e osso e morando na mesma cidade.

 

não duvidei dele. não duvido hoje de ninguém. todos tem os seus mistérios e somente eles são capazes de saber onde esses começam e terminam. mistérios sempre vão pintar por ai… se na vida minha pinta algum mistério? acho que não. um dia escrevi e agora respito: a minha vida é um livro… 1berto. 

 

estou nesse n momento sem o chamado “tesão” para escrever sobre isso ou aquilo. ou ainda aquilo outro e um pouco mais daquilo. se tenho vontade? não. se leio é apenas para não acostumar esses curiosos olhos com o vazio. descrente em quase tudo eu ando.  andar não adianta. parado, descrente também estou. 

 

 o pior é que ainda encontro aqueles que vivem a repetir que o “descanso” veio para todos. ele e eu. nós. mentira. vez em quando sinto que mesmo no canto parado, o coração reage como se tivesse acabado de participar de uma maratona.

 

insisto em dizer que a dor de cada um é como a nossa impressão digital. todos tem a sua.  acredito também que a minha chegou a seu limite. se não vai doer mais? vai e muito. só que essa dor vai acabar desistindo diante da minha insistência em não demostrar aos próximos que ela está presente mim. não tenho o que dizer? tenho: não falarei do motivo dessa dor. não preciso. senti-la apenas é preciso, assim como navegar fora um dia.

 

tá tudo aí. sem mais considerações gerais a fazer.

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