Pra não dizer que não falei do Chico Buarque nessa Roda Viva

Pra não dizer que não falei do Chico Buarque nessa Roda Viva

Dia desses, entre uma gripe e a tosse seca, o “cachorro” ainda na coleira, assisti a mais uma sessão especial do Chico Buarque. Vocês não imaginam! Foram quase dez DVD (sem plural) sobre a obra e a vida de um dos maiores de um dos nossos compositores da nossa emepêbe. A  nossa única unanimidade, segundo  o Millôr Fernandes.

Conclusão: entre os muitos, o DVD “Roda Viva” é o menos monótono. Os outros, apesar de saber que muitos dirão o contrário, com pequenas exceções, são monótonos e meio. E, se não morri de tédio dessa vez, tenho tudo para ser eterno.

Mas nada contra o compositor. Pausa.  O “cantor? Não está aqui quem falou. Tanto que batizei a minha filha com o nome de Carolina. Isso depois de ouvir muito a Carolina dele. Mas fiquem sabendo que a minha, com todo respeito aos muitos que irão assistir ao seu monótono show (assisti uma vez e… pronto!), é muito melhor. Pausa. Quase uma dezena de DVD para contar a história do autor de Roda Viva?! Ninguém merece! Ou melhor: pelo menos este MB não merecia isso.

carolina na praia picasa

Em suas buarqueanas lembranças cinematográficas, Chico confessa que assistiu inúmeras vezes a Sansão e Dalila, com Victor Mature e Hady Lamarr. E imagem que carrega até hoje  é a do herói entre os pilares do Templo de Dragon, acorrentado, botando pra fora os pulmões, e mostrando com quantos pelos de Dalila se faz uma peruca. Uma cena tola. Mas, se o Chico gosta, muitos fãs que irão assistir ao seu monótono show também gostarão.

Tudo bem que o assunto era cinema e não música. Mas lembrar a trilha sonora do insosso Pic-Nic (como era mesmo?) e esquecer a inesquecível(gostaram?) trilha musical de Victor Young é imperdoável. Mesmo sendo Chico. A verdade é que todo bom cinéfilo sabe que Sansão fazendo aquela cara de quem estava sentando no vaso sanitário, sem uma trilha sonora daquela, seria… “descarga nela”! Ou nele. Vejam aí.

No menos monótono – pelo menos para este escriba que tem levado a vida numa rotina de elevador – dos DVD (singular) buarqueanos, o “Roda Viva”, festivais e participantes são lembrados apenas para “encher o saco”. Que os festivais tiveram uma grande importância para o trabalho – ele mesmo diz que “aquele meio” foi muito importante para a sua criação – e a divulgação nacional do artista Chico Buarque, ninguém tem dúvida. Todo mundo sabe ou deveria saber. Nós sabemos. Por isso mesmo nem precisava de tanto “blábláblá”. Vamos para o próximo parágrafo.

Um fato, porém, chamou a minha atenção: a ausência da fugidia figura do Geraldo Vandré. Cadê ele ?!  Em nenhum momento o nosso “amigo da Fab” e “nunca fiz “música de protesto” aparece na telinha. Mesmo que um Chico, embora contido, não deixe de lembrar a importância do filho do Dr. Vandregíselo nos velhos festivais, e –  por tabela –  que tenha sido escolhido por ele para defender a sua “Sonho de Um Carnaval”. Seria  mais uma exigência desse quase genial e perturbado artista? Sei não. Mas que senti a falta de Geraldo Vandré em seu “Roda Viva”, confesso que senti.

 

Compartilhar...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on Twitter

Um comentário

  1. Outro bom texto de tua eclética verve. Abs.

Deixe uma resposta para dapenha Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*


três × = 27

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>