Puerpério

Puerpério

(Um texto de J.M.Víctor)

livro um

Durante toda a minha infância, assisti os resguardos de minha mãe. Na cidadezinha onde morava não tinha maternidade nem parto cesárea. Todos os sete filhos nasceram de parto normal.

Tinha a parteira que era considerada da família.  Pelas mãos dela os rebentos chegaram ao mundo e choraram, salvo meu caso particular que nasci laçado e insisti em não chorar. Chamaram o médico,  mas mesmo assim não chorei,  sabia o que me aguardava aqui na terra. Dona Neném me salvou.

Logo que o médico saiu, a parteira olhou para minha mãe e disse: agora ele vai chorar… Por isso me colocaram o nome de José.

Acho que os resguardos da minha mãe duravam mais do que o normal. Era um período de festa para receber amigas e comadres com guloseimas e licor. Comparo esse tempo ao que estou vivendo agora depois de oito anos de gestação do meu primeiro romance.

Um longo período de gestação merece um grande período de resguardo. Então fico assim durante as horas que eram dedicadas à escrita: esparramado na cama, com o pensamento vagueando pelo infinito da alma inquieta. É o tempo necessário para desmamar o rebento.

Tem um ditado popular que diz que gestação grande é de jumento, espero que não seja o meu caso.

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