Qual será o futuro do jornal impresso?

Qual será o futuro do jornal impresso?

Por Anco Márcio – em 15/03/2006 às 00h00

Eu sou um homem de jornal. Sempre fui um homem de jornal.Aos dezesseis anos já escrevia no “Correio” à convite de Bosco Gaspar, uma coluna sobre teatro.Depois fui ser repórter, redator, colunista, sócio de jornal(em “Edição Extra”) dono de jornal (no “Jornal de Festa”) e diretor de jornal (em “A União”).

Se fui, se sou, um bom ou mau jornalista, não cabe a mim julgar. Não tenho diploma de jornalismo ou Comunicação.O pouco que sei, aprendi fazendo.Fui Chefe de Reportagem e Secretário de Redação nesse percurso.Graças a um decreto de um desses generais presidentes. pude me profissionalizar e tenho o número 278 na DRT.

Hoje, vejo com tristeza, medo e alegria, que o jornal impresso, o “jornal de papel”, esses que a gente lê, suja a mão, recorta, assina, e coleciona colunas, parece estar agonizando para a prática Internet. Eu leio hoje, o que os jornais vão publicar amanhã,gastando um pouco com a Velox e uma insignificância de energia elétrica.

Não tem mais sentido aquela correria que a gente, repórter, tinha, de pegar o carro (quando existia) e sair voando para o local do fato. O pessoal dos sites, entre os quais me incluo, chega primeiro.O pessoal dos portais dos próprios jornais, chega primeiro e coloca o fato na hora.

O jornal impresso me parece um tanto sem sentido. As colunas de que gosto, como a de Giovanni, Carlos Aranha ou Rubens Nóbrega, eu posso ler em casa no meu computador.Eu fui afastado do jornal, quando minha coluna era a mais lida.Eu trabalhava no “Norte”, o jornal fez uma pesquisa interna, e deu Anco em primeiro lugar.

Mas nem assim fui aproveitado. A incompetência e a falta de visão de um Cecílio Fonseca, me puseram pra fora.E deu no que deu.Hoje, esse site tem mais de 500 acessos/dia enquanto que “O Norte” não vende trezentos jornais.Juntando meus anunciantes, meus pequenos anunciantes, ganho umas quatro vezes mais do que ganharia no jornal Associado.Quem saiu perdendo?

Não se enganem. Rubens Nóbrega, Giovanni, todo esse pessoal vai ter de escrever na Net.E logo.No máximo dentro de dez anos, talvez.Aranha, inteligentemente, já manda a sua “Essas Coisas” via e-mail para quem lhe interessa.Roberto Cavalcanti e Zé Carlos

do JP, devem urgentemente cuidar de seus sites. O jornal impresso vai falir.”O Norte” já faliu.

Em João Pessoa, uma cidade pequena, já existem sites com estrutura de jornal. Seis ou sete repórteres, seis ou sete computadores, fotógrafos e…eu já ia dizendo impressoras, mas pra quê impressoras, se nos sites a gente já digita o que vai ser lido ?É preciso também uma urgente reforma nos Cursos de Comunicação…

Você conhece algum anúncio de jornal, que quando clicado caia praticamente noutro jornal?Não tem. Mas na Internet tem… E olhem que sou insuspeito para falar nisso, pois fui um dos últimos jornalistas a aderir à Informática.Só parti para o computador quando tiraram a última maquina de escrever da redação…

Depois do teatro, minha paixão é jornal. Mas sou forçado a constatar que ele vai se acabar. Não o jornalismo.O jornal.Ainda bem que as circunstâncias me forçaram a ter esse pequeno site.Ainda bem que a mesquinhez e a incompetência dos Cecílio Fonsecas da vida me puseram pra fora de jornal.

Deve ter gente pensando: Anco agora se queimou com Cecílio e nunca mais será divulgado no “Norte”. E o que me importa?Qual o problema?Se no meu próprio site eu sou divulgado duzentas vezes mais?Eu até que poderia voltar a ter uma coluna diária em jornal. Mas seria essa mesma que vocês leem aqui. Parem as rotativas!O progresso chegou!

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