Quem dá ou empresta aos pobres… Adeus!

Quem dá ou empresta aos pobres… Adeus!

Por Anco Márcio – em 09/04/2006 às 00h00

Passa um mendigo na minha casa. O pedido é o mesmo de quando eu era menino:”Uma esmolinha pelo amor de Deus…Até dinheiro serve…” Num sei se era um mendigo gozador, ou tava com tanta fome que queria receber até dinheiro, que, como todos sabem, compra comida, mas ainda não se come.

Passou outro e me pediu um “restim de comida”. Como eu disse que não tinha, por que não tinha mesmo, ele falou entre dentes:”Come tudim por isso que tá gordo desse jeito…” Decididamente, os mendigos de hoje não têm mais aquela humildade, aquele jeito carinhoso, aquele “savoir faire” de antigamente…

Passou outra turma, pedindo “um auxílio pra uma mãe que tinha oito filhos e tava sem ter o que comer”. Deu vontade de dizer que ela num tinha o que comer, porque tinha sido comida demais, mas preferi guardar pra mim a piada de mau gosto.Mas eu sempre desconfio dessas campanhas.Acho que todas são feitas em proveito próprio…

E, falando nisso, tem aquela do marido que ao chegar em casa encontrou a mulher transando com um mendigo… Deu aquele escândalo, que deve ser natural, e quando interpelou o mendigo ele se saiu com essa pérola:”Eu só pedi a ela uma coisa que o senhor não estivesse usando mais…” Sacaram?Sentiram a profundidade da piada?

Num domingo desses, passou uma turma de três caras num carro, pedindo comida pra uma associação espírita… Eu ri e perguntei que espíritos comilões eram aqueles…Os espíritas deram uma arrancada no Corsa, falando com tanta raiva, que eu sei que por eles, eu nunca vou baixar em sessão nenhuma…

Passou uma mulher esquálida pedindo um “pacote de qualquer coisa de fuba (assim mesmo sem acento) de macarrão, de arroz…” Eu disse que num tinha, que comia de marmita, pois desconfiei que se tratasse de um modelo fazendo um desses regimes esquisitos. Mas ela se saiu com essa :”É…A conversinha de quem não quer ajudar é sempre essa…”

Isso me fez acreditar que tinha gente que inventava que comia “de marmita” só pra num dar “um pacote de qualquer coisa”, o que na verdade é uma resposta porreta, digna de um motorista que acaba de derrubar uma parada de coletivos e diz que num tinha visto, apesar da parada ter uns dez metros quadrados…

Nunca mais eu vi cego pedindo esmola. Os cegos que eu vejo hoje, tocam acordeom, violão ou pandeiro, e são todos letrados em Braille.E mais:andam com aquelas varetinhas que se desdobram e saem pelas ruas sozinhos, sem necessidade do “menino guia” , figura tão popular e pitoresca da minha infância…

Vi no programa da Ana Hickmann (gostosa…) uma cega que entrou na Justiça pelo direito de andar com seu cão no metrô de São Paulo e ganhou… O tal cachorro tava com ela até no estúdio da TV e lambia sua perna…Sei não, sei não…Deixemos de pensar maldade…Cala-te boca…

Conheci um jornalista gay aqui em João Pessoa que arranjou um bofe cego. Resolveu duas questões:transava com o cara, mas como ele era cego nunca podia saber de quem se tratava.E ele ficava nas mesas de bar com o ceguim(por sinal , um safadim também)alisando a braguilha do cego e falando pouco que era pra ele num memorizar sua voz…Sentiram o drama?

Pois é… Essa de dar aos pobres, somente com meu amigo jornalista boneca que já morto(a) e nunca teve seu segredo desvendado.E ele o jornalista, ainda ria debochado, dizendo:”Num foi uma grande sacada???” Sei não, sei não, mas pra mim a grande sacada ainda é mulher. e quem a gente se dá sem medo de ser infeliz

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