Quem me vê assim brincando não sabe nada de mim

Quem me vê assim brincando não sabe nada de mim

Acabei de ouvir algo parecido. “Quem me vê assim cantando não sabe nada de mim”. Cacaso. Um poeta.  Embora goste um bocado de música, e botem um bocado nisso, não me veem facilmente cantando por ai.  O meu canto é silencioso. Não fere os ouvidos do próximo nem do distante.

Mas confesso que não sou muito de sair  cantando como um Noel Rosa, peito estourando de dor,  confessando que sabia sofrer.  “Eu sei sofrer”. Dizia.  Eu não sei. Digo. Também não sou  como Belchior,  esse de  fala nordestina, Belchior, que “Até parece que foi ontem, minha mocidade, com diploma de sofrer de outra Universidade”. 

É definitivo: Não tenho vocação para o sofrimento. Sofrer ?  Nem para ir, depois de morto –  Meu Deus! Precisa morrer ?! -, para o céu católico ou outro que inventem. Mas se estamos ainda no ritmo da música, essa de sofrer e chorar, com diploma de sofrer ou não, sou mais o velho e sempre bom Poetinha Vinicius de morais, com a sua vontade de viver e amar sem limites:

- Pra que chorar Se o sol já vai raiar? Se o dia vai amanhecer ?Pra que sofrer se a lua vai nascer?

 A verdade é que ninguém sabe de mim melhor do que eu. Tanto que às vezes acabo achando até que sei demais.

Uma coisa, porém, e dessa não abro mão nem para dar adeus ou tomar injeção na veia, é a certeza de que quem gosta mais de mim sou eu. Aquele abraço?  Ainda não.

Um dia espalhei neste espaço e conto no meu “arte & manhas da palavras” , que “Às vezes gosto tanto das coisas que faço que só não me peço um autografo porque a modéstia me impede”.  Um crise de falta de modéstia ? Pode ser. Também conto que “Estou sempre brigando comigo pela alegria sem tamanho que sentirei quando as pazes comigo eu fizer”. Sentiram? Por aí. Não é uma briga de verdade. Mas daquelas entre crianças que brigam pela manhã e a tarde vão tomar sorvete juntas.  

 Mas, voltando ao sofrer, a dor,  a minha, não se ver nos olho nem nos dentes que costumo colocar para fora de sua – deles, dos dentes – casa. A dor é fogo que arde sem se ver!   Invisível para os olhos, porém,  sem nada de essencial.

 Não se cresce na dor. É mentira!   Cresce-se com ela.  E assim, embora falando em dor e sentindo nas entrelinhas desta mal-traçadas que ela pode me pegar na primeira curva da tristeza, nunca vou me acostumar com o sofrer. Ninguém.

Ah, mas confesso que são as palavras, essas sempre bem-humoradas, que tem feito com que  valorize ainda mais o silêncio.  O meu.  Essas endossam esse  silêncio de alegria.  Um silêncio que se não for compartilhado, dividido, nenhum valor ele terá.

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