Quem nasceu para maluf troca o verbo pela verba e ainda quer troco

Quem nasceu para maluf troca o verbo pela verba e ainda quer troco

Nada como muitos possam pensar nesse começo de conversa de viver lembrando que a herança é a vergonha maior que o meu pai me deixou. O fato é que contra esse não há argumentos. Existem muitos sacripantas por aí cujas heranças me dão mais vergonha ainda.

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Dia desses falei nestas mal-traçadas costumeiras que duvidava na honestidade de qualquer forma de enriquecimento. Um dos meus dois leitores, esse que em nada contribui e não raramente enche o saco deste escriba, ato contínuo, contestou: “Loteria é um enriquecimento legal”.  Não acho, obtemperei, o sacripanta que ganha sozinho ou acompanhado está roubando a esperança de milhões de apostadores como eu.

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Sujeitos de péssimos predicados trocaram o Fiat 92 por um Vectra do ano, poucos meses depois de receberem de presente um cargo público. Estão progredindo, dizem, caminhando em busca de um lugar no futuro. Boa sorte. E que no caminho encontrem os portões das cadeias abertos.

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Os ricos moram na praia. Uma canção diz isso.  Sem ter enricado (salve o Lula!) nesses meus muitos anos de trabalho honesto, mas tendo o suficiente para na praia morar, por enquanto vou preferir ficar por aqui. Tenho medo de ser confundido com um deles. Principalmente com esse que recebe pouco mais de dois salários mínimos e fazendo o máximo leva uma vida de quem ganha cem. Que é? O vereador quase mudo.

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Um belo exemplo e mais bela herança ainda vai deixar o pai que em conversa com ele, o filho, disse para esse que se arrumasse um cargo público o ensinaria a roubar de tal forma que todos iriam pensar que ele nunca roubou. Sorriu, cuspiu de lado e, orgulhoso, confessou:

- “Ninguém sabe roubar melhor do que eu!”

 Se não existe crime perfeito, estava ali um perfeito ladrão.

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Um dia o Chico Buarque disse que o Zé Ramos Tinhorão não poderia opinar sobre o seu trabalho. Não poderia dizer se uma música sua – do Chico – era boa ou não era. Por quê? Ora, respondeu o Chico, porque Tinhorão não era compositor. Pobre Chico! Nunca fui, não sou nem serei ladrão – não me venham com ocasião. Mas conheço muitos e posso falar – mesmo sem ladrão ser – do quão são imperfeitos em seus roubos. Mentira desse pai que acabei de citar – não existe ladrão perfeito. Nem crime.

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