REGINALDO DO JORNAL ( DO PONTO DE CEM RÉIS NÃO MORA MAIS AQUI…)
1berto de almeida e o reginaldo do ponto de cem réis

REGINALDO DO JORNAL ( DO PONTO DE CEM RÉIS NÃO MORA MAIS AQUI…)

(Matéria publicada neste espaço, “ipsis litteris”,  numa terça-feira, 13 de março de 2012)

Se a memória não me falha, ouvi um dia ele dizendo que era de Jaguaribe. Ou seria do bairro de Cruz das Armas? Eu, particularmente, nascido e criado em Jaguaribe, bairro que aprendi a cantar como se fosse o meu país, diria que ele não é de um nem de outro: Régis é um produto do meio, do centro, e ponto final. Ou melhor: Ponto de Cem Réis!

 Régis é a segunda pessoa – ou seria a primeira? – dessa dupla que não tem nada de sertaneja: Regis contra Boquinha. Mas, afinados que são um com o outro, fazem a primeira e segunda vozes na hora de gritar. Pausa. Agora eles não gritam mais! – “Extra! Extra! Leia no Jornal do Dia: Hoje não temos Jornal! “.

 Mas uma notícia em edição extra não teria a sua cara.

 Agora se o sujeito passar por um baixinho de chapéu, sempre, e perguntar se “vai tudo bem? ”,  em seguida ouvir como resposta um “ vai melhorar! ”, pode ter certeza de estar falando com Reginaldo Dionísio!    Essa frase cheia de otimismo é  a cara dele!

 Morando há décadas em nosso velho Ponto de Cem Réis, hoje uma nova Quadra de Esportes, um deserto de cimento, Régis é figura que se não mora na filosofia, filosofa onde mora, ou seja,  no Ponto de Cem Réis.

Não estranhem se escrevo que Reginaldo mora no centro da cidade. Não é mentira!  Um sujeito que todos os dias chega às primeiras horas da manhã, abre as manchetes dos jornais na parede do Parahyba Palace Hotel e deixam-nas (epa!) abertas até o sol se despedir das bancas de revistas, não pode morar em outro lugar!

 Se houvesse uma eleição para guia de turismo em cada rua, praça e avenida da minha Província das Acácias, e Régis fosse candidato a guia do nosso Ponto de Cem Réis, livre e espontaneamente, seria o seu cabo eleitoral. Tudo sem nenhum real em pagamento. E nenhum eleitor, sobretudo aqueles que todas as manhãs “pegam a garapa” das manchetes expostas pelo Régis na parede do Palace Hotel, se perderia nesse voto!

 O melhor de Régis não está entre as manchetes que expõem, tornam públicas (gostei), abre para todos que por ali transitam. Reginaldo se realiza mesmo é quando um passante ali fica, com cacófato e tudo, e saboreia página por página as revistas e jornais que ele gostaria que o leitor comprasse.

 Régis  também sabe que se o passante que fica comprasse o seu produto, como acontece com todo aquele que coloca o seu produto à venda, seria muito bom. Mas, nesse momento, “Tudo bem”, é a resposta que ele não expõe, todos conseguem ler, e isso é o seu “pagamento”.   Somente em ver o passante vendo, lendo o produto que oferece e ficando, mesmo sabendo que ele não o comprará, é um prazer para ele.

 Régis é uma figura que não precisa fazer nenhum esforço para ser o centro das atenções. E se esse centro for o Ponto de Cem Réis, é que ele não precisa mesmo!

(Em tempo: desde a semana passada, Reginaldo Dionísio, o Regis, trocou de roupa e está morando noutra cidade)

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