Sabe, no fundo eu sou um sentimental…

Sabe, no fundo eu sou um sentimental…

Escuto “Fado tropical”. Chico Buarque e Ruy Guerra.  Esses são os compositores. Confesso que gosto desse “Fado” cantado por Chico. Na voz de Chico. Chico não canta?! Tudo bem. Gonzaguinha também não cantava. Mas duvido que alguém “cante” melhor do que eles as suas – deles –coisas.

Nesse momento, escuto Ruy Guerra declamando: “Sabe, no fundo eu sou um sentimental”. Arretado! Acho.  Também gosto do “sotaque lusitano” com que ele veste o poema. No fundo Ruy Guerra é um sentimental? Ele só? Não!  Também sou. Talvez até mais do que ele. Sei. Carrego comigo todos os meus mortos e, se não bastasse, os vivos que amo.

 A composição é de 1973. Sei de cor. Canto de cor. Salteado? Não salto nada. Ruy Guerra saltou. E não foi a agulha que pulou a linha do vinil.  Constato. Escuto Chico via um velho e gostoso LP. Era novo. Chico é sempre novo. Saudades!  Mas não liguem. Nem façam comentários.  Não se esqueçam, porém, desse “fado” meu: sou um sentimental.

No fundo, bem ali onde o sujeito mergulha e não tiver a consciência de que se chegou até ali foi somente para poder voltar, morre afogado. Um “Fado tropical”…  Pausa.  Fado também é sina!  E esse Fado, o tropical, também ensina. Portugal versos Brasil! Tudo aí.  Triste fado aquele da Ditadura Portuguesa.

 Todos nos herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo. Somente? Não. Ruy, sem paz, engoliu. Não disse que “além da s…”. Claro.  Ruy sabia clarear o que dizia. Mais: recebendo o auxilio luxuoso do nosso maior compositor popular vivo, tudo ficava mais claro ainda. Pausa.   

Escuto Chico Buarque. Curto. Ah, como curta é a vida e arte longa! Curto as duas!

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