Saudades de Dona Rô!
Dona Rô era muitas!

Saudades de Dona Rô!

Ainda ressacados – A Morena e eu – do mar e dos excelentes seres presente no lançamento do livro “O ser e o mar” do amigo Antonio David, levanto e me deparo com a lembrança de Rosaura Ferraz, conhecida por todos como  Dona Rô. Pausa.  Dois anos cheios de saudades. Ainda guardo dela, sem esquecer a pessoa que foi, algumas lembranças: um livro e um texto a este escriba dedicados.

Eu gostava de Dona Rô. Ou melhor: gosto ainda. Dona Rô era para mim um sinônimo de cidadania. Um exemplo de ser que sabia nesta vida o que dela queria. Tudo de bom. E não ficava somente aí: queria dividir todas essas suas conquista com o povo da capital da Parahyba.

Lembro-me que muitas vezes fui procurado por Dona Rô. Ela em mim depositara toda a confiança. Achava que nós, ela e eu, unidos, poderíamos inventar uma nova manhã. Eu tentava. E quando não conseguiu corresponder a expectativa da Dama Santista – nasceu em Santos (SP), falou várias vezes – ficava s triste em responder-lhe que o seu pedido não pode ser atendido. Sempre justos os pedidos dela. A Justiça era sua aliada

Dona Rô, enquanto morava nesta cidade e vestia uma roupa de carne e osso igual a minha, foi a porta-voz de um povo que sofre e morre calado por medo de falar e medo maior ainda – incrível – de ser escutado. Se a honestidade e a integridade podem ser representadas por uma pessoa, esse projeto de Deus que não deu certo, essa pessoa seria Dona Rô, nunca outra.

Eu a tinha como modelo de cidadã. Lembro-me do seu ultimo pedido em defesa dessa gente pacifica e ordeira, cheia de homens “troféus ovelhas”, repetido exaustivas vezes pela Radio Sanhauá, mas nunca o suficiente para despertar os muitos que permanecem deitados em berço esplêndido. Ele, o pedido, fora feio exatamente para isso: despertar o dorminhoco povo da capital da Parahyba.

O povo unido, gritou inúmeras vezes, nunca será punido. Foi o seu grito pelas ondas da Rádio Sanhauá. Se não for assim, unido, nunca sairá da miséria em que vive. Chamou o povo às ruas. Estava emocionada. Lembrou-me por alguns instantes o nosso Geraldo Vandré, muito emocionado também, pedindo “calma, gente, a vida não se resume em festivais”.

Saudades da minha amiga. Saudades da pessoa. Saudades da cidadã. Se havia pouco silêncio nos tempo de Dona Rô, agora sem ter mais quem grite em defesa dos direitos dessa ovelha população, agora o silêncio ficou maior. Pior: do velho silêncio não restou.

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