Se arrastando que nem cobra pelo chão…

Se arrastando que nem cobra pelo chão…

O relógio agora marcava uma hora. Nem preciso dizer que essa era da madrugada. Os nossos passos continuavam no ritmo de procissão. Sem pressa. Os cantores improvisados ou não montavam em trios (sic) que, pela vez deles, cavalgavam em lombos gradeados de longos caminhões. Os cantores? Esses cantavam e desafinavam “que só vendo”. Eram  como aquele gaiato do “samba sem graça” cantado pelo Nelson Gonçalves.

 Mas e aí? Ora bolas! Não eram – nem são – cantores profissionais. A fé! Eles cantavam com tanta fé e emoção – mais fé – que os hinos ali cantados estavam mais do que nunca afinados com os ouvidos e corações dos fiéis. E por isso mesmo não davam a mínima para as notas cantadas 

Depois de doze quilômetros e meio de caminhada, distância essa que muitos ainda acreditam e creditam  ser de 14 ou 15 km, o que não é, pois essa foi a distância registrada outro dia pelo meu Tordilho de cascos de borracha, finalmente chegamos ao nosso – e de muitos – destino: a igreja da homenageada  Senhora da Penha.

 A Nossa Senhora da Penha. Pois assim ela  é chamada pelos devotos. Nossa! Inclusive  por Dona Chiquinha e o Compadre Heráclito, saudosos e sempre lembrados pais que nunca se referiam a homenageada sem esse doce pronome possessivo antes da Senhora da Penha.

Chegamos. Mas ali não encerrava a nossa caminhada. Muito ainda temos para caminhar.

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