Se eu for andar para trás, acabo me desequilibrando

Se eu for andar para trás, acabo me desequilibrando

Tenho andado mais calado que o meu costume. Qual o costume meu ?  Falar cada dia menos. Porém tudo por escolha. Nada forçado.  Tenho preferido espalhar algumas mal-traçadas neste internético espaço, a explicar o inexplicável para algumas pessoas que desejam tudo em miúdos. Tem mais: não trocam.  Desejam tudo já trocado. Na boquinha. Naquela mesma.

Não estou mais nessa. Nunca estive. É como um dia  alguém escreveu, um  bom pensador, que um poema não se explica, e  este MB, pela vez dele, acrescentou que uma “piada” ou anedota também. Uma charge ou cartum. Não se explica. Não se explicam. E se explicar, perde a graça.

Afinal não estou aqui nem ali nem em lugar algum para explicar. Nem confundir. Apenas cansado de muitas coisas. De mim? Nunca de mim eu canso. Assim mesmo. Tudo um tanto pleonástico.  Pausa. A arte faz bem. Tenho pensado. Sentido.  Sobretudo para esse sujeito que é dela um consumidor.

Acontece é que ando  preocupado comigo. Muito. E olhem que sou o tipo do sujeito que não gosta de preocupar ninguém. Isso sim. Me preocupa. Aí vem aquela história da dor que é minha e não aceito dividi-la. Serei um chato? Acho que não. Com quase dois metros de altura seria muito dolorido  para um chato carregar tanto peso.  Apenas não abro mão das coisas que são somente minhas. Nasceram (sic) para isso. Deram à luz. Inclusive a dor. A minha.

“Saber sofrer é uma arte
E pondo a modéstia de parte
Eu posso dizer que sei sofrer.”

Quem fez tão sofrida confissão?! Acredito que uns poucos não saibam ainda. Mas, assim mesmo, não sabendo, é possível dizer o quanto sofreu esse poeta. Eu disse poeta?  Disse.  Pois, além de ser um dos melhores compositores da nossa música popular, a melhor, também era poeta. E dos bons. O compositor e poeta Noel de Medeiros Rosa, ou simplesmente Noel Rosa, sofria e aproveitava esse sofrer para fazer arte.

Agora, por favor, deixando esse parágrafo sofrido para entrar em outra melhor, confesso  também que  não estou querendo fazer da minha dor uma arte sofrida. Nada disso. Apenas tenho andado um pouco mais distante de mim. Apenas. Mais distante de mim, e próximo dele.

A leitura  tem amenizado a rotina desse meu  dia a dia a carregar nas costas – e na alma –  um peso que não vem de fora. E assim, pouco a pouco, cercado dos meus livros preferidos e filmes. às vezes, a Rosa energizando o meu jardim, sigo em frente. Ultima pausa.  Nunca aprendi a andar para trás: erro os passos no arame.

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