Se Zé Ninguém não escutar, melhor calar!

Se Zé Ninguém não escutar, melhor calar!

Pra que negar?Não sou lá muito o tipo de antes de escrever sobre isso ou aquilo e vice e versos, sair feito um louco a pesquisar a origem do que escrevo. Fiz isso em tempos outros, ainda menino Jaguaribe. Mas,  com o passar do tempo,  acreditem: não foi  o tesão que diminuiu. O tempo!  Foi ele.  Esse senhor bonito como a cara do belo Abel.

Não tenho idade ainda para escrever biografia. A minha. Mesmo se na idade estivesse, sujeito capaz de fazer autocrítica e separar o 1berto desse Humberto que muita gente não conhece, também não faria. Fazer o quê se o mais importante nesses meus muitos bem vividos anos e o meu pensamento único foi viver e escrever pouco sobre o que tenho vivido? Nenhuma graça.

Manias? Ah, essas ? Tenho algumas. E entre essas uma é gostar muito de mim, sem esquecer de gostar dela.

Um dia não muito distante um amigo e poeta, excelente amigo, desses que a gente costuma escolher para irmão, confessou-me assombrado com o meu quarto-ilha cercado de livros e discos e filmes por todos os lados. Tudo sem contar quadros e revistas espalhadas pelo chão, assim como as minhas velhas esperanças de morar num país em que não tivesse medo de andar nas ruas e acordar pela madrugada para ver a lua. Se leio tanto assim? Confesso que já li mais.  Hoje, por falta de tempo, mas nunca de tesão, estou sempre atrasado muitos livros neste minha bem vivida vida.

Escuta, Zé Ninguém. Associação? Acredito. Acabei de (re) ler um pouco da história do Severino Silva (Ben Silver) da Roda viva do Chico Buarque. Sempre assim. Não me peça para ser diferente. Não saberia. Não saberei. Leio o que me satisfaz. Independe do seu valor e ano. A  propósito, Escuta, Zé ninguém, do bom austríaco Wilhelm Reich, é de 1946. Se está longe do ano em que me tornei visto? Muito!   Pois é. Leio e gosto. Leio-o como se lendo o  estivesse(epa!) pela primeira vez.

Bom, se escuto, gostaria também que outros escutassem o Zé Também. Fico por aqui. Depois conto melhor a história do Zé.  E assim  verão que existe um Zé, assim como um dia descobri sozinho, em cada um de vocês.

“Chamam-te Zé Ninguém, Homem Comum, e ao que dizem começou a tua era, a Era do Homem Comum. Mas não é tu que o dizes, Zé Ninguém, são eles, os altos mandatários, os dirigentes do proletariado, os filhos arrependidos, da burguesia, os homens de Estado e os filósofos. Dão-te o futuro, mas não te perguntam pelo passado”.

Em tempo: qualquer semelhança com os nossos tempos não é mera coincidência.

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