SEMPRE TEREMOS CASABLANCA EM PARIS!

SEMPRE TEREMOS CASABLANCA EM PARIS!

O que Casablanca tem que outros não tem?

Numa sexta-feira de branco, um dia muito diferente do branco de um dia de domingo, lembrei-me de Casablanca, um filme velho (1942) e que até hoje, mesmo depois de tantos filmes que passaram pelas telas coloridas dos meus olhos, aparece-me sempre novo. Mas por que esse filminho – nunca achei um grande filme – e quase um Love Story não sai da cabeça da gente? Vamos por partes, como diria o Jack Estripador.

Seria pela sua trilha sonora, As Time Goes By, um composição de Herman Hupfeld, um bom compositor por aqui desconhecido, e que todo aquele que assistiu a Casablanca ao ouvi-la se lembra logo do pianista Sam e dos olhos de Peter Lorre desviando o olhar de Ilsa e do Rick? E olhem que a música nasceu muito antes (1931) desse filme que faria com que muitos esquecessem que a sua apresentação primeira se deu num musical (“Everybody’s Welcome)!

Mas, afinal, o que seria? A beleza e a doçura de Ingrid Bergman? A prova desse amor – por que Rick não terminou com Ilsa?! – do qual só restaria a lembrança de uma Paris distante (” sempre teremos Paris”)? E Rick? Qual o sujeito que nunca se imaginou em seu lugar enchendo a cara de uísque e ouvindo Sam tocar As Time Goes By no piano, provando assim que “se ela aguentou” ele também aguentaria?

Sei que essas perguntas já foram feitas inúmeras vezes pelos apaixonados – como este escriba – pela história do filme de Michael Curtiz. Mas e a identificação do espectador com Rick ou Ilsa? Lembro o dia em que emprestei Casablanca ao bom caráter e seco – “Vai te lascar, te vira! Eu te fiz! O resto é contigo!”, costuma dizer para as filhas! – Pedro Osmar. Ele assistiu e, devolvendo em mãos ao seu legítimo dono, não aguentou: “1berto, cara, eu sou Rick Blane”. Sorri. Mas até tu, Brutus?!

Verdade que muitas cenas têm contribuído para que Casablanca esteja sempre em cartaz em nossas cinéfilas cabeças. Sem dúvidas, como cantou outro dia um genial baiano, mistérios – em Casablanca – vão continuar pintando por aí. Mas por que toda vez que assisto a Casablanca uma pergunta me vem à cabeça? Qual? Digo: o que danado, afinal, Rick fazia antes de aportar em Marrocos?

Fico por aqui. Mas posso assegurar que em nenhum momento esses mistérios e outros mais misteriosos ainda (gostei do “mistério misterioso”) continuarão fazendo fazem com que o espectador fique de boca aberta e mão com a pipoca parada no ar. E se não bastasse muitos sonhando em ser Ilsa ou Rick. Mas o quê, por exemplo, Ilsa estaria fazendo em Paris? E o começo da “bela amizade” entre Rick e o Capitão Renault termina como?

Nada a ver. E até quem não vê sabe disso. Nada a ver. A ver sempre terá quem não assistiu ainda a Casablanca. E posso confessar? Apesar de todas as interrogações quando assisto a história de Rick e Ilsa esqueço tudo e peço a Sam para tocar outra vez!

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