Sérgio de Castro Pinto x Luis Lisboa:  poetas! o leitor sou eu!

Sérgio de Castro Pinto x Luis Lisboa: poetas! o leitor sou eu!

Não diria que esse poeta, o Luis Lisboa, tivesse muito do nosso poeta Zé Limeira. O Poeta do Absurdo. Tão lembrados? É Aquele mesmo de “O velho Tomé de Souza, Governador da Bahia…”.   Mas, se o Zé Limeira existiu de verdade, como poucos asseguram por aqui, guardadas as proporções, um mais terra e outro somente céu, teria muito em comum com esse maranhense. Ah, e vice e versos!

Luiz Lisboa, como acabei de entregar, é um poeta maranhense que “inventou” espetaculares palavras que nunca existiram. Tudo para rimar? Pode até ser. Pois bem. Essas que seguem logo abaixo, por exemplo, são todas criação dele. Um inventor de palavras.  Porém, mesmo que o dicionário não as adotasse nem adote, elas passaram a ser palavras nossas. Neologismos? Nem neo nem velhos. Pouco importa. Mas que tem lógica, isso tem. Neo-lógica.

.Agora mesmo, lendo aos pouquinhos as boas coisas que conta o poeta Sergio de Castro Pinto na condição de leitor no seu “O leitor que eu sou”, mas sem em nenhum momento deixar de lado o poeta, deparei-me com o poema desse maranhense que tinha um ouvido arretado para a rima e a melodia. Um músico de ouvido! Acho. Mesmo antes de ser poeta. Pausa. Ora, todo poeta não seria um músico de ouvido?

Sinceramente, não sendo poeta nem sê-lo (gostei) pretendendo, tenho a certeza de que ele, “A Minha deusa”, poema que agora leio, me pegou mesmo pelo ouvido.  Isso logo na primeira escutada (sic). Leio. Sorrio. Acho arretado! Porém melhor do que lê-lo (sic) é ouvi-lo.  Por quê? Por sê-lo mais música que letra.

No seu – dele – poema “A minha deusa”, pouco ou quase nada importa para o poeta.  Brinca com as rimas. Ele.  Palavras. Também. Sorri. Nem precisa mostrar o risco cheio de dentes cortando-lhe o rosto. O bom é que a gente vai lendo e “criando” um poema novo.   Mas, eis que repente, mais que repente (risos), encontramos um significado somente nosso para uma palavra que nunca lemos ou falada um dia ouvimos. Arretado! Tudo partindo do seu – dele – poema.

 Somente o poeta sabe o que as suas – dele, não esqueçam – palavras significam. Somente ele sabe o significado que no momento da criação estava emprestando a elas. O significado de cada uma. Pausa. Ou não sabia. A rima. O ritmo. A melodia. Neles está o seu poema.  E assim segue dando ritmo ao nosso olhar e adocicando os ouvidos.

 Nenhuma dúvida tenho. Encontraria, mesmo que para o poeta não fosse o significado que ele pensava no ato da criação, o significado de cada palavra. O meu significado. Significados. E a mulher amada entenderia.  Ora, poeta tem dessas coisas. E ninguém melhor que um poeta, como é o caso do Poeta Sérgio de Castro Pinto, para “decodificar” o que o outro poeta disse.

Acreditem. Sou um “Malabarista de Palavras”. Apenas.  Por isso, mesmo que espalhasse muitas outras mal-traçadas a respeito da “deusa” do poeta, não diria tanto. Até poderia. Mas, sinceramente, acho que depois das bem traçadas do poeta Sergio Castro Pinto a respeito do poema de Luiz Lisboa, essas minhas não diriam coisa com coisa. Leiamos, pois, um pouco do que o Sérgio escreveu. Em seguida, por favor, leiam poema. Nada mais para dizer. Fala aí, Sérgio:

 “Observe-se que as palavras desse soneto – o referido segue logo abaixo – mesmo não dicionarizadas, podem muito bem repercutir no leitor de modo que esse empreste significado a elas a parte do seu imaginário popular e coletivo. Quem sabe o seu eu lírico não encontre palavras dignas, pelo menos entre as que existem neste mundo, para prestar um tributo à amada e, por conta disso, as crie, as invente, para seduzi-la e conquistá-la”?

É poeta, encontrei as minhas. Não para conquista a mulher a mulher amada, mas para conquistar o lirismo que o poeta espalha nas palavras por ele inventadas e sentidas. Vamos ao poema.

 

A UMA DEUSA
Luis Lisboa
 
Tu és o quelso do pental ganírio,
Saltando as rimpas do fermim calério,
Carpindo as taipas do furor salírio
Nos rúbios calos do pijom sidério.
 
És o bartólio do bocal empírio,
Que ruge e passa no festim sitério
Em ticoteios de partano estírio,
Rompendo as gâmbias do hortomogenério.
 
Teus lindos olhos que têm barlacantes
São camençúrias que carquejam lentes
Nas duras pélias do pegal balônio.
 
São carmentórios de um carce metálio,
De lúrias peles em que pulsa obálio
Em vertimbáceas do pental perônio

Compartilhar...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on Twitter

2 comentários

  1. waldemar josé solha

    Otacílio Batista, quando eu dirigia um comercial de TV com ele e o Oliveira de Panelas, disse-que que os poemas atribuídos a Zé Limeira na verdade eram dele, Otacílio. Ele ficaria deliciado com esse soneto do Luis Lisboa

    • Humberto

      Mestre Solha,

      também ouvi do Otacilio a mesma coisa. ele deu alguns exemplos. assim como outro dia o Oliveira de Panelas fez a mesma coisa. ouvi os dois com atenção. ouvi-os. mas, sinceramente, se tinha algo da “lenda” criada pelo Orlando Tejo, digo lenda, porque acredito ser o Zé Limeira um criação coletivo, mesmo sendo constatada a sua existência por Zé Américo e outros, tinha muito pouco. putabraço. te mandei um imeio…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*


dois + 9 =

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>