tem dias que a gente se sente mesmo como ?!

tem dias que a gente se sente mesmo como ?!

Não é  que o Chico Buarque acertou mais uma! Pois é.  Ele quase sempre acerta. Se tivesse escolhido outro amigo e herói que não fosse o Lula teria acertado todas. Ou quase. Eu sei. Chico tem lá suas razões para apoiar esse molusco cefalópode.  Tudo não passa de  uma questão de família. Ele sabe defende os seus.

Mas aqui não é o Chico amigo de Lula e Dirceu que me vem à cabeça. Antes  porém  de entrar nos poréns da matéria, como diria o personagem de José Cândido de Carvalho roubado pelo Dias Gomes, aviso que não é o Chico político que me interessa. Nenhum interesse ele tem aqui e agora. É o letrista.

Se digo ser Chico Buarque um  letrista no parágrafo aí de cima é pelo fato de ele nunca ter assumido a condição de poeta. Sou um letrista de música popular, disse um dia em entrevista. Respeito. Mas Chico é poeta mesmo que não queira. Achei um pouco de modéstia. Ou um muito.

Agora, nesse exato instante, o Chico que me vêm à cabeça é aquele de “Roda Viva”, uma composição sua e terceiro lugar de um festival que nunca em tempo algum houve outro como ele haverá.  Roda Viva é aquela do “tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu”.

Não estou morto! Ainda. Também não parti! E não partirei logo mais. Pode ate ser. Mas se a partida depender de mim, partido nunca estarei nessa viagem.

Assim como quem partiu ou morreu…

Sendo meio burro para entender certas coisas minhas e burro e meio para entender as coisas que  eles acham certas, confesso que ainda não entendi em todo o seu significado o que seria o partir ou morrer do Chico Buarque.

Sei não. Sei não mesmo. Mas talvez seja o estado de espírito de cada um de nós num determinado momento. Aquele sentimento de que não estamos mais com a gente; não somos mais donos do que fazemos ou pensamos; sentimos aquela vontade de apagar tudo da memória e começar  uma nova história. Seria mais ou menos como começar de novo e contar especialmente consigo.

Sei não. Mas o “partiu ou morreu” de Chico se não passa por ai passa bem pertinho. É um estado mais de sentir do que mesmo racionalizar. Sentimento. Apenas. Partir ou morrer.  Duas opções. Afinal, partir para onde? Morrer seria o remédio? Ou tudo não passa de um momento de tédio? Hoje segunda-feira ainda não morri nem vontade de partir eu tenho. Partido… Acho que passa por aí.

Depois de um fim de semana somente leitura e descanso não há como negar que eu continuo aqui mesmo.  Partir? Nem pensar! Morrer?  Tudo bem ou mal. Mas,  se for o caso, gostando tanto da vida como eu gosto fico com a primeira opção: parto! E assim partido espalho pedaços de mim pelas ruas do meu bairro Jaguaribe! A minha República Independente!

Mas não é que Chico tem razão? Tem dias assim mesmo. Morrer ou partir. Embora não acredite que a solução para esse estado de “está me faltando um pedaço” esteja na escolha de uma dessas opções.  Não vou partir. Ainda. Nem tão cedo vou morrer. Esse também é um estado passageiro. Nenhuma dúvida. Estou por aqui de passagem. Apenas.

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