TORQUANTO NETO: a mais lúcida loucura

 

 

Torquato Neto ainda é um desconhecido para muitos. Infelizmente. Apenas se conhece de Torquato  o  que se  diz e  o que se conta dele e das    poucas letras de música que  deixou. Torquato não deixou livro escrito.

Dizem alguns que se não fosse o movimento tropicalista ninguém saberia quem foi Torquato Neto. Não acredito. Embora também não negando que os baianos – Caetano Veloso e Gilberto Gil – contribuíram muito para descoberta de Torquato, mesmo sem  eles  Torquato seria descoberto um dia.

Mesmo ainda  não fossem as suas composições famosas, todas em parceria, como por exemplo a canção-manifesto do movimento, Geleia Geral, Louvação, Mamãe coragem, Pra dizer adeus, Veleiro (com Edu Lobo), Rancho da Rosa Encarnada, com Geraldo Vandré e Gilberto Gil, para ficarmos por aqui, Torquato teria “acontecido” .

Vale a pena, lembrando o letrista e poeta que foi Torquato Neto por aqui,  lembrar o  nosso José Américo de Almeida no seu imortal “A Bagaceira”: “o que tem de acontecer tem muita força”. Torquato como letrista e poeta provou que  muita força ele tinha. Aconteceria naturalmente. Nenhuma dúvida.  Mas, Somente Deus, esse em que acredito, seria capaz de explicar a despedida do poeta. Mistério? Ora, sempre a de pintar por aí. Pausa. E por aqui.

Um dia depois de fazer 28 anos de idade, Torquato decidiu que não dava mais pra segurar: trocaria de roupa e se mudaria para outra cidade. E  não deu outra. Até nessa ultima decisão ele foi incapaz de ficar indeciso e não cumprir o prometido. Prometera a quem? Ora, a ele mesmo.

Tudo muito simples. Torquato que nunca fora de complicar a vida não iria se despedir desta cidade complicando a sua. Voltou da festa (de aniversário?) com a mulher, e ela, sem imaginar jamais o que estaria se passando na sua – do Torquato Neto – cabeça, cansada, pois devem ter dançado até o sapato pedir para parar (sei do cacófato,) foi dormir.

Acordado, vendo que a mulher dormia, Torquato resolveu ir dormir, para nunca mais acordar por aqui. Devagarinho, para não acordá-la, entrou no banheiro, ligou o gás e deu descarga na vida. No outro dia, cedinho, antes mesmo de

Sua – dele – mulher descobrir que se mudara, a empregada gritou: Torquato não mora mais aqui!

Mas Torquato não foi sem “dizer adeus”. Disse. Deixou um bilhete. O suicida que é verdadeiramente suicida, sobretudo sendo esse suicida um poeta, deixa sempre um recado. Torquato deixou:

“Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar”.

Era o dia 10/11/1972 (nasceu em 09/11/1944). Thiago era o filho de três anos de idade.

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