ÚLTIMA MENSAGEM DO MEU AMIGO JOSÉ MARIA TEIXEIRA DE CARVALHO

ÚLTIMA MENSAGEM DO MEU AMIGO JOSÉ MARIA TEIXEIRA DE CARVALHO

Há mais de 40 anos trabalhando juntos, sempre lembrava dozé marias bons tempos em que ele, somente alegria, assim como foi por todo o tempo em que por aqui morou e vestiu a mesma roupa que ainda visto, entrava “bailando” na sala de trabalho. O sorriso vinha à tona. Mas logo se transformar numa gargalhada.

A dança, sem nenhum ensaio prévio, uma dança só e exclusivamente dele.  Era como naquele ballet dramático e quatro atos do compositor russo Piotr Ilitch Tchaikovski. Mas nada de intervalo ou passos diferentes.  Ele dançava e dançava e dançava e, sem esperar que o “maestro” que somente ele sabia onde estava e como regia a orquestra, fingia desmaiar. Terminava, finalmente, conforme as suas próprias palavras, com “a morte do cisne”.

Não pense, porém, que essa morte tinha algo a ver com aquela criada pelo coreógrafo Mikhail Fokine, para a música de Camille Saint-Saens, dançado pela bailarina Anna Pavlova! Nada disso! Ele lá sabia quem era esse povo de “nome complicado”! Fosse algo relacionado ao Tênis de mesma, esporte em que era craque e não suportava se alguém o confundisse – para mim sempre foi a mesma coisa – com o popular Ping-Pong, tudo bem, ele daria show e diria em detalhes o porquê de cada passo a cada tacada.

Se alguém me perguntasse como eu o definiria como amigo e pessoa, não pensaria duas vezes: um dos melhores seres humanos que pisaram nesse mundinho que não raras vezes desejo que alguém puxe a corda e deixe que ela desça pela privada o mais rápido possível.

Foram mais de 40 anos trabalhando juntos nessa mesma grande e ótima Empresa (CAGEPA). E quase sempre na mesma sala. Era mais que um amigo. Afinal, um amigo é um irmão que a gente pode escolher. E eu o escolhi para irmão.

Abro as suas mensagens (eram muitas) a mim enviadas e, entre as muitas, essa continua lá: “Bom dia galera, estou aqui me recuperando de um probleminha do pulmão decorrente de sequelas do Covid, graças a DEUS estou bem. Um cheiro! ”

Me (sei da “ênclise”) animei. Acreditava ainda que essa “praga” que vem comendo a humanidade pela beira, Covid, assim como seu alegre e feliz cisne, morreria primeiro. Também não posso negar que a minha alegria foi um tanto permeada de justificáveis receios. Ele estava fraco. Muito fraquíssimo. A comorbidade que carregava o enfraquecia mais ainda.

A mensagem me foi enviada no dia 08 de junho/20 as 7h36min. apelei. E por que não dizer que pedi a Deus por ele? Pedi. Em seguida, no mesmo dia, para o meu mais completo silêncio, recebia a mensagem do seu amigo inseparável, companheiro de toda a vida: “Gente, acabei de receber uma ligação do médico de Zé Maria, acabou de falecer às 07:20horas. Por favor compartilha com os amigos…”

Pausa. Era 7h48min.

Eis que mais que repente, lembrando de sua última dança, agora sem um só rasgo de sorriso no rosto, disse para os meus botões hoje mais carne do que osso, que dessa vez o “cisne”, infelizmente, morreu de verdade. Era a última “dança” do meu amigo-irmão JOSÉ MARIA TEIXEIRA DE CARVALHO.

Mas, como ele acreditava e eu acredito nele, um cara somente sinceridade, fidelidade, amizade, tudo tão raro por aqui, agora no lugar onde está, seja a dele ou do cisne que tão bem encarnava por aqui, morte não mais existe. Triste lembrança.

Que descanse em paz o meu amigo.

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