Um bom dia à tristeza é o mesmo que um sorriso sem graça num dia de domingo

Um bom dia à tristeza é o mesmo que um sorriso sem graça num dia de domingo

Recebo o meu primeiro desejo de “bom dia” às – acabava de olhar para o marcador de tempo no meu pulso – sete horas da manhã destta terça-feira comum. Estranho nem um pouco.  Os dias da semana são quase todos iguais. E se disse “quase” é porque diferente mesmo são os domingos. Os sábados? Todos vazios como os homens que nele passeiam. O bom dia é do colega que outro dia me disse que temia morrer de solidão.  Ele me deu –  talvez tenha sido o último dele – “bom dia” e me deixou com a solidão desse bom maluco que um foi um dia danado pra Catende dançando dentro da minha cabeça. Disse e muito bem que  a solidão  é fera e  devora. Disse mais:  é prima irmã (por que “prima irmã?”) do tempo. A solidão tem mesmo cara de tigre de bengala. Ela chega num pé e outro e lhe dá a mão como se fosse uma tábua de salvação no mar de sua  angústia.  A  solidão – ainda é ele –  faz nossos relógios caminharem lentos. Tudo bem. Mas nem sempre.  Aqui eu discordo. Às vezes ele é  rápido como um chute do infalível Bruce Lee nos seus melhores dias. O bom dia do meu amigo foi lento e  triste. Rápido, porém, ele se foi. Sem alegria.

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