Um joão do vale cheio de pedreiras no caminho…

Um joão do vale cheio de pedreiras no caminho…

Foi no Projeto Pixinguinha, ali no Teatro Santa Roza, esse Rosa com Z,  em anos distantes que encontrei pela terceira vez (uma foi no Recife e a outra, por acaso, em Fortaleza) o compositor de pérolas como Carcará, Peba na Pimenta, Pisa na Fulô e outros clássicos,  que,  apressado, trocou de Roupa e foi morar noutra cidade com apenas 62 anos de idade (1996).

Um inesquecível encontro. João (Batista) do Vale estava se preparando para subir no palco. Trazia os grossos pés, como sempre, descalços. Os olhos abertos, muito abertos, davam-lhe um ar de espanto constante. O andar estava pesado.

Lembro-me do barzinho do Santa Roza. Barzinho dos Artistas. Se não me engano era assim chamado. Foi ali. Estava nesse barzinho quando o ele Chegou e, direto como um soco de Mike Tyson nos seus melhores dias, sem nove-horas, como diria a minha saudosa mãe Chiquinha, perguntou se tinha uma “cachaça da boa”. A voz pesada, calejada pelos muitos anos de estrada, noite e cachaça, chamou a minha atenção. Vi, então, que ali estava o próprio.

- E aí companheiro – saudou-me quando se viu  reconhecido -, vim dar uma molhada na garganta antes de começar!

E um sorriso largo tomou conta de todo o seu rosto. Mas no bar  não havia a cachaça que João queria. Nada de cerveja: cachaça. Vi ainda que pelo seu estado, assim de cara, João   não precisava de mais de uma ou duas doses. O Carcará  infelizmente estava acabado. A “marvada” havia acabado com ele por dentro e por fora.

A lembrança do João com os  pés no chão, camisa aberta no peito e calça top equilibrando-se para não cair e pedindo mais uma, nunca mais  saiu da minha cabeça.  Uma triste lembrança. Imagino as pedreiras que teve de enfrentar na vida. Saudades desse João que valia mais do que ele mesmo pensava…

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Um comentário

  1. Bela descrição. Bela e saudosa! abs.

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