um poema de Francis Lisboa

um poema de Francis Lisboa

Multifacetados espinhos

(Francis Lisboa)

 

tomas

eis aí os teus versos de amor

não preciso mais deles

suas rimas me afetam

não quero mais saber o que eles guardam

em cada palavra de amor

 

são armadilhas as tuas palavras

elas me pegam e me calam

só o silêncio me compreende

o meu

nunca mais o nosso

esse mesmo que insistes em calar na minha boca

 

não quero mais brincar contigo

de cantar numa só voz

desafinamos

vivemos hoje fora do tom

não tem mais Lígia nem sabiá

cantando em nossas palmeiras

agora tudo entre nós é passado

passamos

 

nossa roupa amassada sobre a cama

nossos chinelos pedindo os nossos pés

nossos corpos molhando o lençol

branco que nos vestia

agora não somos mais nós 

és tu e agora sou eu

 

tudo feito em nossos nomes

apagamos 

assim como as velas apagadas

naquele dia em que comemoramos a luz

que os nossos olhos espalhavam

pelo corredor dos nossos corpos nus

tudo acabado, tudo passado

tudo

Compartilhar...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on Twitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*


9 − = oito

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>