Um pouco de Fausto Wolff

Um pouco de Fausto Wolff

 “Cabelinho nem se chamava Cabelinho”. Mas, apesar do apelido meio-puxado ao ridículo, (talvez, o único sujeito, às vésperas do ano 2000, a usar gomalina), era um homem muito bonito, elegante, posudo e magro como um anacrônico Dom Quixote Tinha um outro que nem nunca revelou. Trabalhava há anos, com competência e dedicação, como contador de um grande banco… Não sabia disso, mas seu caráter fora moldado pelas exigências do mundo que construíram à sua revelia.   Como eu e a maioria dos leitores, Cabelinho era um consumidor eterno que aceitava tudo – comida, bebida, lazer – passivamente. Como todos nós, em algum ponto, sua vida transformou-se numa mercadoria e passou a senti-la como um capital investido com lucro. Como todos nós, seu valor estava na sua rentabilidade e não em suas qualidades de amor, sua possibilidade de raciocinar e sua capacidade artística (O homem, pág. 24)

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