Uma cama de hospital é um taxi estacionado com o taxímetro a correr*

Uma cama de hospital é um taxi estacionado com o taxímetro a correr*

Estou chegando ao ponto de não passar mais nem pela frente de um hospital.  Ou por trás. Tanto faz. Uma casa de saúde qualquer. É  bom encontrar uma casa dessas quando dela se precisa. Sempre. Todos sabem. É uma espécie de porto seguro em terra firme para o corpo que pede descanso. Suplica. Nenhuma dúvida: descanso (paz)é saúde. Mas não posso esquecer de dizer que este  ano foi um daqueles que não quero lembrar. Precisei de descanso.hospital simbolo Preciso. Muito. E tudo farei para esquecê-lo. Apagar da minha vida esses 365 dias. Ficará  o espaço? Ficará. Não tem problema. Pularei esse. 

Neste ano foram muitas as visitas às casas de saúde. Uma estada numa dessas, porém, eu precisei.  Em algumas  dessas visitas não foram  de tanta saúde assim. Mas não as nomearei. Ética. Apenas.  O hospital não tinha nada de “casa de saúde. Doença, uma casa de doença ele era. Uma casa  “construída” com a sujeira (bactérias e outras pragas) de seus  profissionais.  Se não nos corpos, nas brancas roupas que orgulhosamente ostentavam – e continuam –  até  quando iam às privada desovar suas vergonhas públicas.  Todos viam. Sentiam pelo uso indiscriminados dessas que deveriam ser privadas e mantidas limpas.

Triste ver o que por muitos dias vi. Todos viram. Muitos eram os jalecos brancos por fora e sujos por dentro.  Usados por profissionais que usam e deles abusam. Todos não,  muitos. As casas de saúde me deixaram doentes de vontade de nunca mais por elas passar.  Assim acontecem com todos. Nada mais natural. Visitas? Também não. A flor da pele estão os nervos.  Os meus. Tudo lembrando que nunca fui homem de ansiedade nem de pressa para chegar vazio aos dias de sábado. Deixo isso  para  aquele poeta cheio de poesia.

E os homens, hein? Uma verdade imutável: todos projeto de  um Deus que não deu certo. O Deus não, os homens.  Falei todos. Vejam que não estou me colocando na arquibancada. Afinal, muitos sabem.  Bati umas peladas no campo da vida e conheci alguns estádios. Sei que existe um diferença muito grande entre estar dentro do campo e aqueles que ficam na arquibancada vaiando ou aplaudindo e pedindo mais um gol. Os hospitais são campos em que os poucos que saem dele em condições de jogar outra partida, não reclamam nem quando o adversário faz um gol decisivo, no último minuto do jogo, com a mão. Infelizmente quem eu tanto amava, dele somente saiu para jogar em um campo da cidade para onde se mudou em definitivo. Se fiquei triste ? Muito. Tristíssimo ainda estou. 

 As paredes brancas dos hospitais não falam das cores que os meus olhos precisam ver. Também não falo das minhas dores. Falta-me o costume. Tem mais: essas dores são somente  minhas, sinto-as primeiro.  E ninguém precisa  saber o tamanho da dor no meu sentir.  Nada, porém, a  lastimar. Também não tem essa de dizer que sofro mais que o garoto que assiste a um perna-de-pau furar a sua primeira bola. Dores não se comparam. Assim como a felicidade.  A dor é a impressão digital do sentimento.  Sendo assim, por favor, deixem-me com  a minha dor.

Hospitais? Livrai-me deles, Senhor!

 

*Groucho Marx

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