Vá assistir ao show do Chico, mas não me chame!

Vá assistir ao show do Chico, mas não me chame!

Não tenho dúvida de que o Chico Buarque faz show por obrigação. E somente sobe no palco por “por força da grana que ergue e destrói coisas belas.”  Chico é réu confesso: “Eu, por mim, não faria show nenhum, eu não gosto de fazer show. Eu sou obrigado”. Trocando em miúdos: o cara faz uma coisa que não gosta. E sendo assim, como todo o respeito a velha “unanimidade”, como o Millôr Fernandes o chamou um dia, um show assim não pode prestar.

Um dia escrevi aqui e volto a escrever sem estar nem aí se vocês gostaram do que foi escrito ou não, que não tenho mesmo saco para assistir a uma apresentação do maior compositor vivo – e muito! – da nossa música popular duas vezes!  Nem falo do “chato” que é o Chico na pessoa do artista, como li outro dia, e conto a seguir.

  No livrinho (quase 500 páginas) do Ricardo Amaral, “Vaudeville: memórias”, – vou contando – esse jornalista e prometer das noites cariocas e noites outras do chamado “jet internacional”, disse que o carioca Chico era “mais chato do que o inglês Paulo MacCartney”.  Não conheço nem um dos dois. Mas, sem pensar duas vezes, acho que os dois se merecem. Ou os três. Vejam aí.

 Nunca estive tête-à-tête com o compositor de Carolina, música essa que gostava – eu disse gostava – tanto que foi o nome que escolhi para a minha bela e inteligente filha. Por sinal, aqui não posso esquecer de lembrar, ouvindo outro dia a leitura que o filho de dona Canô deu a esse “clássico”, confesso que apesar de gostar muito do Caetano cantando, sempre preferi o “sem voz” compositor interpretando a própria obra. Mas, por favor, não me venham com “eruditas explicações” e emoções e pensamentos vastos sobre o fato!  Estou cansado de ouvir essa e outras histórias!

Mas também nenhuma novidade essa minha de não gostar de sua – do Caetano – interpretação da Carolina. Chico também não gostou.  Em entrevista para o jornal O Pasquim, histórico hebdomadário que mudou a forma de fazer jornalismo no “país dos poetas” – nunca vi um pais com tantos poetas! -, Chico confessa que não suportou ouvir mais de uma vez o disco (Caetano Veloso, 1969) em que ele gravara a sua composição. Não gostou e fim de papo. Também não.

Ainda na entrevista, assim como quem estava pedindo um tempo para responder e não causar “polêmicas”, essas próprias de uma época em que ele estava de uma lado (acrescentou), o tradicional, e o tropicalismo do outro, Chico diz que não sabia ainda se havia “ironia ou não, boa ou má-fé” na gravação dele, isto é, do Caetano. Um dia Caetano explicaria. E assim o poeta baiano o fez. Também, por favor, não me venham com velhas tergiversações a respeito do fato.

Mas, sem medo de ser feliz ou infeliz, dependendo do estado de espírito, confesso que iriei ao show de Chico Buarque no dia nem nesse outro que inventaram, atendendo a inúmeros pedidos(?). Ora bolas!  Se no primeiro dia o cara já vai com a cara de quem estar ali obrigado, sem gosto algum pelo que irá fazer ou dizer ou cantar, imaginem num segundo, cantando e fazendo e dizendo as mesmas coisas? !

Tudo bem que para os fãs será a glória ouvi-lo e vê-lo, mesmo um tanto vazio de coisas novas.  Até mesmo para esses que não esperam dele nada novo, pois, afinal, dizem lustrando a velha “unanimidade”, basta o muito que ele já vez para alcançar a “eternidade”!  Pois é. Acho que mesmo sendo fã (a Rosa também é), dormiria embalado nos acordes de “Retrato em branco e preto”!

 Mas, pelo amor de Deus, não pensem que estou dizendo aqui ser essa composição sua – dele – e do Tom Jobim monótona, pobre e sem a qualidade que marca as composições desse excelente parceiro seu. Nada disso! É que não tenho mesmo mais saco para ouvir, como foi o seu – dele –  caso com a Carolina, duas vezes Chico cantando esse clássico – suponhamos que possa isso fazer – e vendo no palco um artista que ali estar “apenas” por força da grana que ergue e constrói – também! –  coisas belas.

Nesse dia, cachorro solto ou não, estarei em casa, com a agulha novinha beijando os seus – meus agora! –  velhos vinis,

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