Vai, Carlos, Ser feliz nessa nova vida!
A última foto: 1berto de Almeida, Caarlos Tavares e Antonio David

Vai, Carlos, Ser feliz nessa nova vida!

Pra que mentir? Não gostávamos de mentira. Ele e eu. Hoje continuamos a não gostar: Antonio David e eu. O verdadeiro Antonio David e eu mais que nunca amigos da verdade. Foi ontem. Mas deixei que estas mal-traçadas dormissem na “rede” da Internet.

Indagorinha, provocado pelo nosso amigo em comum Antonio David, lancei mão do Notebook que fechado estava no meu tordilho com cascos de borracha, e aqui estou espalhando minhas as mal-traçadas nessa mesma Rede onde ontem elas dormiram.

Foi assim. Passeando pelo espaço de poucos “books” e muitas “faces”, deparei-me com um doído texto de Carlos Tavares. Por que negar? Um texto de quem sabia que em breve trocaria de roupa e se mudaria para outra cidade.  Faria – segundo as suas próprias palavras –  a “grande viagem que todos terão que fazer um dia”.

Carlos Tavares foi um velho companheiro de palavras e porres homéricos. Noites literárias, poéticas. Lembro-me bem das “brigas quase verdadeiras” entre os amigos, excelentes amigos, ambos nada menos excelentes caracteres. Os “brigões” eram os escritores Aldo Lopes de Araújo e Carlos Tavares. Não tomava partido. Sorria. Apenas. Sabia que brigavam apenas para que mais tarde pudessem comemorar a paz que em seguida viria. Uma dupla arretada com quem dividi por muitos dias e noites silêncios e palavras.

O filho de Dr. Arnaldo, esse que fora mais que um doutor, um cientista, tinha muito de sonhador. Também era poeta. Mas, antes de tudo, jornalista e escritor inspirado. Dono de um texto escorreito e ideias maravilhosas. Os seus romances, muitos ainda inéditos, dizem muito desse sujeito temperamental – muito – e que de genial também tinha muito.

Os “repentes” de Carlos Tavares, esses a que muito assisti, nada tinham de cantador de viola. Emboladores. Era mesmo de quebrar o pau quando um sem argumento tentava mostrar-lhe o caminho que ele conhecia melhor do que ninguém. Não era de pegar atalhos. Caminho. Desse ele nunca abria mão.

Carlos Tavares era aquele sujeito que sabia o que queria e, por ser assim, queria e brigava para conseguir o desejado. Mas, no fundo, ali bem dentro do peito, era um meninão capaz de brigar porque o colega, sem perceber, encostara na sua bicicleta preferida. Tudo sem maldade. Essa ele não tinha.

O vi inúmeras vezes esmurrar a mesa de um bar onde comemorávamos mais um dia de vida, apenas porque o garçom demorou em lhe trazer um copo vazio para, avidamente, encher de uma “alegria espumante” que acabava sempre num “ahhhhh!” pensativo e distante.

Na última vez que nos encontramos, momento esse registrado a pedido desse artista e amigo inseparável Antonio David, um artista de “olhar fotográfico” diferenciado e por ele – Carlos Tavares –  muito admirado, Carlos trazia no rosto visíveis sinais de quem não iria passar muito tempo morando nesta cidade.

Espalhava o seu olhar pelo novo Ponto de Cem Reis, velho conhecido dele, como se quisesse guardar a sua imagem nessa última viagem sem volta. Mas, no fundo, eu que dividi com ele tantas incertezas e porres homéricos, festejamos juntos, senti que Carlos, apesar do lenço invisível da despedida era o mesmo homem e artista conscientes da efemeridade da vida. Nesse dia não falou nada sobre “Maturéia”, a Macondo que carregava consigo e nela sonhava morar um dia.

Agora, revendo a foto e o belo texto que escreveu para o irmão Flávio Tavares, outro artista mestre das cores e dos pinceis, genial, excelente caráter, e para esse amigo que escolheu para irmão, Antonio David, senti uma saudade danada desse Carlos que era “contra quase tudo” do que muitos são a favor.  Uma forma única de mostrar não era o tipo de marchar “soldado certinho” sem destoar do batalhão.

Vai, Carlos, ser eterno nessa vida! Confesso: Senti saudades!

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