Vanja

Vanja Orico, ‘A Baronesa dos Goytacazes’, no cinema.
A carioca que defendia os índios e simpatizava com o cangaço desafiou tanques militares na década de 60.
O advogado, musicólogo, radialista e escritor José Alves Cardoso, o Dom Cardoso, foi buscar a trajetória da inquieta Vanja Orico num arquivo datilografado e empoeirado de 1954, creditado aos jornalistas de “O Cruzeiro”, Renato Bittencourt e Antônio Rudge. Segundo ele, Vanja, que foi casada com o ator André Rosenthal, morreu do mal de Alzheimar (RJ) e de câncer no intestino, em 28 de janeiro de 2015. Seu único filho é o atual cineasta Adolfo Rosenthal. Foi capa das principais revistas dos anos de 1940/1950. Gravou discos na França e foi recordista de vendas no Brasil, com a música “Sodade Meu Bem Sodade”, de Zé do Norte, trilha sonora do filme “O Cangaceiro”. Dom Cardoso esclarece: “Quem ia gravar essa trilha era a miga de Vanja, a atriz Neuza Vera. Mas o cineasta Lima Barreto preferiu Vanja. Acertou na mosca, porque o sucesso foi dos maiores.

Grande Otelo: “Vanja, dinâmica incomum”.
Grande Otelo, em uma das entrevistas que prestou às revistas da época, citou que “Vanja era de uma dinâmica fora do comum, e nunca rejeitou convites para filmes exóticos, fossem em estúdios modernos, fossem nas selvas amazônicas ou da África, sempre como defensora dos povos oprimidos, sem adotar postura feminista”. Carioca, morena queimada do sol, ela impressionava pela suavidade da voz e seu poder de convencimento. “Ela não forçava a barra, mas sabia persuadir com maldade, ganhando a confiança de terceiros, inclusive dos índios carajás que visitou, em plena selva de Goiás, “declarou Cyl Farney, numa entrevista. Gostava de se abanar com folhas de plantas selvagens. Fez assim no Xingu, em Goiás e numa aldeia de Angola. Não era supersticiosa, mas dizia que seu gesto espantava os maus flúidos. Sua convivência com o ator André Rosenthal não registrou brigas sérias. Ele e Vanja se amavam de verdade e o respeito entre os dois durou por todo o casamento. Sobre a onça que quase a devorou, durante umas filmagens na selva amazônica, a própria Vanja comentou: “Levei um grande susto, pois, ao procurar uma roupa dentro do camarim improvisado numa barraca de lona, descobri o focinho de uma onça, forçando um pequeno rasgão no tecido, aí meu grito a espantou”. “Fala-se num romance entre ela e Cyl Farney, durante umas filmagens. Cyl ou Vanja nunca confirmaram nada”. “E o romance, se foi uma tentativa de badalar o filme pela mídia, antes de ser lançado, certamente fracassou, pois os boatos cessaram rapidamente”, diz Don Cardoso. Filha de uma família da classe média alta, ninguém sabe explicar porque Vanja era uma ativista de protesto militante, em passeatas, lutas de classe ou na defesa dos pobres e oprimidos. Não chegou a amealhar fortuna, mas gastou parte do dinheiro que ganhou ajudando pessoas a quem sequer conhecia. Ela nunca afirmou isto pessoalmente. Mas, corria de boca em boca, que Grande Otelo só trabalhou no filme “Conchita Iunder Ingenuier”, dirigido pelo alemão Franz Eishore, por influência de Vanja. Otelo estava no início da decadência, por uso abusivo de álcool. Nunca frequentou o glamour das colunas sociais, a não ser em aparições discretas. Ibrahim Sued tentou publicar uma foto sua simulando uma provocante situação de sexo, mas Vanja recusou. Basta citar que Sued, na época, era considerado maior colunista social da América do Sul, tendo destaque em “O Cruzeiros” e nos grandes jornais”. Costumava namorar mulheres belas e tentadoras, que desejavam “acontecer” em suas colunas. Vanja superou tudo isto. Sua paixão, ao que dizem, foi o ator André Rosenthal, pai do seu filho. “Ela nunca rejeitou convites”, disse Grande Otelo em uma das suas entrevistas sobre a atriz Foto: Divulgação Corria de boca em boca que Grande Otelo só trabalhou no filme “Conchita Iunder Ingenuier”, dirigido pelo alemão Franz Eishore, por influência de Vanja

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