Zé Ramos Tinhorão: “Tom Jobim era um pobre coitado sem inspiração”

Zé Ramos Tinhorão: “Tom Jobim era um pobre coitado sem inspiração”

 

Mais um plagiador  fora do Tom ?!

Mais um plagiador fora do Tom ?!

Não sou músico. Confesso. Um simples consumidor de arte. Não passo disso. Um Malabarista de palavras que gosta muito de música. Apenas. Escuta muita música. Ouve ? Ah, nada mais natural. Muitos ouvem.

Tinhorão, o Zé Ramos, pela vez dele, até onde eu saiba, também não é músico. Um estudioso de nossa música. Um pesquisador.

Todo que conhecem Zé Ramos sabem o quanto ele “não gosta” de Tom Jobim. Eu gosto. Se muito? No limite. Tenho em casa quase todos os discos – LP, sim senhor – do compositor do excelente Urubu (1976).

Tom sempre passeou com a dignidade de um mestre sala entre o erudito e o popular. Mas, embora um compositor inspirado, Tom sempre foi acusado de ser um plagiador.

Não acho, porém, assim como Zé Ramos Tinhorão, que dessa vez foi um tanto condescendente com o compositor da excelente “Águas de Março”, que ele, Tom Jobim, se plagiado alguma composição de outrem tiver, tenha sido proposital.

Zé Ramos disse o mesmo que eu, assim como ele que não é músico, apenas um pesquisador, também diria como consumidor de arte musical;
“Não são plágios, acho que ele nem fazia isso de má-fé ou de forma consciente. Tom Jobim era uma barriga de aluguel, como uma mulher que empresta o útero e tem um bebê lindo”. Mas, mesmo endossando o pensamento do Zé Ramos não o concluiria como ele assim concluiu: “Era um pobre coitado sem inspiração”.

Não acho. Tom é acusado, por exemplo, de ser “parceiro” de Frédéric Chopin e Irving Berlin. Os compassos, por exemplo, do “Samba de Uma Nota Só” (60), “Sabiá” (68) e outras são todos desses parceiros seus.

Escuto vez por outra Frédéric Chopin. Pausa. Prefiro Mozart. Irvin Berlin? Escuto sempre “Cheek to Cheek”, “Alexander’s Ragtime Band”, “Blue Skies”, “White Christmas”, “Puttin’ on the Ritz” e outros clássicos. Às vezes, pra que mentir?, descubro aqui e ali um pouco de Tom Jobim. Natural. Não acho, porém, nada de anormal.

Prece”, outro bom exemplo, composta por Vadico e Marino Pinto, só faltou ser assinada por um Tom Jobim sozinho e bem acompanhado de seu piano, batizada com o nome de “Nuvens Douradas”. O titulo, pelo menos esse, tinha de ser diferente.

Nessa última FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty – encerrada semana passada, ressaltando que a minha ida a mesma ficou apenas no desejo, Zé Ramos Tinhorão, dividindo a atenção dos muitos presentes com Hermínio Bello de Carvalho, esse fã incondicional de Tom Jobim, foi mais ferino do que nunca: “a bossa nova tem ritmo de goteira e é puro jazz pasteurizado”.

Se ficou por aí? Nem pensar. Foi além: “Eu tenho uma pena (do Tom Jobim), porque como pessoa era excelente, mas tinha um equívoco fundamental: achava que compunha música brasileira (risos)”. Ah, sobre a bossa nova? “A única novidade da bossa nova é a batida de violão do João Gilberto”.

Seria mesmo?! Não acho. Fim de papo. Mas volto ao assunto.

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2 comentários

  1. Sou fã incondicional de Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, a quem tive o prazer de conhecer pessoalmente, através do meu amigo Danilo Caymmi. Grande músico, maestro, compositor e, até cantando, convencia! Estive na sua casa em Teresópolis, onde ele se refugiara, na ocasião em Frank Sinatra se apresentava no Maracanã. Os organizadores do show de Frank Sinatra, queriam um canja de Tom (junto com Sinatra), e ele se recusou por entender que a fase da parceria com o Blue Eyes, ficara nos primórdios da Bossa Nova. Constantemente, escuto a música de Tom Jobim, que me faz bem ao coração e a mente. Jamais vou escutar os “safadões” da música atual.

    • Humberto

      agora, meu bom artistamigo, digo como o nosso bom oswaldo travassos: vidão! puto depoimento! dizer o quê ? digo: também não escuto os safadões! putabraço!

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