Ivan Cineminha nos tempos das bicicletas nos cinemas!

Ivan Cineminha nos tempos das bicicletas nos cinemas!

ELE FAZ QUESTÃO  de contar para Deus e o mundo que tem setenta e cinco anos. Isso mesmo: setenta e cinco anos de história!  Nasceu em Picuí.  Mas não viveu em Picuí.  Tinha que visitar outros filmes. Conhecer novos cinemas. O cinema de seu pai não lhe bastava. Assim,  logo cedo,  veio fazer o filme de sua vida na capital.

É uma satisfação às vezes que nos encontramos. Dessa vez foi no Varadouro.  Nem sei se ainda chamam esse antigo bairro de Varadouro. Lembro ainda que outros chamavam de “Cordão encarnado”. Pausa.  Nem sei se ainda chamam. Ivan que carrega o cinema desde os tempos do Liceu (histórico colégio estadual). Pois é. Nesse o Ivan  é residente e domiciliado.

Soube que o seu cinema ficou maior. Explico. Estive nele. Não poderia recusar o convite. Agora ele  se mudou para um apartamento onde pode contar e ver os seus filmes em cinemascope. Ufa! Foi um trabalhão para efetuar a mudança! Contou-me. Teve que “fazer uma limpeza”. Doeu-lhe no peito. Machucou-lhe a memoria. 

Sentido e muito sentido abriu mão – e fechou os olhos – para muitos de seus velhos filmes ainda em fita de videocassete. Mas pouco se importou.  Esses estão anotados em seu caderno de história – do cinema – e fixos na parede de sua memória. Todos em cenas inesquecíveis.

Nesses prazerosos encontros o papo não poderia ser outro: cinema.  O filme? Sempre outro. O ultimo foi a Mula.  Nesse dia almoçamos juntos. Cheguei depois. Quase no fim. Mas concordamos em prolongar esse encontro.  Educadamente ele esperou que este MB terminasse de engolir os últimos caroços de feijão,

Meio ao papo sobre cinema – não poderia, insisto, ser outro – falou-me de sua última entrevista para mais um “herói” impresso por aqui. Deu o seu Ponto de Vista sobre o cinema e a vida. Mostrou mais uma vez a sua excelente memoria. Sempre.  Mas nesse não poderia faltar o seu histórico –  fala nesse como esse fosse o pote de ouro que ele procurava em um de seus muitos sonhos escritos na tela de um cinema – encontro com o ídolo Anthony Quinn. As fotos estão ai para provar. Mostra. 

 Conta com entusiasmo a surpresa do ator ao saber que ele sabia mais de sua vida que o próprio. Explico outra vez. Foi assim que o mexicano a ele se referiu no programa do Jô Soares. Esteve por lá duas vezes.  Anthony Quinn ficou admirado com o conhecimento do nosso Cineminha no que se refere a sua – do Anthony – arte.    Demonstrou verdadeira admiração  à sua – dessa vez, do Cineminha – memória cinematográfica.

 No papo de agora a surpresa ficou no  fato de ele lembrar que em nossos velhos e saudosos cinemas a bicicleta tinha entrada franca. Entra no cicema com a bicicleta ?! Não me lembro. Mesmo não sendo réu, confesso. Não tenho a idade de Cineminha nem a memória. Mais: ele nasceu cinéfilo. No meu caso esse gostoso “vício” atacou-me somente nos  meus catorze /quinze anos. Por ai.

Um fato ele faz questão de ressaltar nessa curiosidade. Não eram em todos os cinemas que a gente podia entrar de bicicleta. Fazer esse golaço de bicicleta na história dos nossos cinemas. Alguns. Os mais populares como Metrópole, Torre (ambos nesse bairro), Santo Antonio e São José (no bairro de Jaguaribe) e Astória (na Rua da República, no centro da capital) tudo bem.  

E os outros, Cineminha ?! Ele não demora para lembrar:

 – “No Rex (no centro) não podia entrar, mas tinha um local próprio, seguro, na calçada, que você poderia amarrar a bicicleta e ir assistir ao filme sossegado”.

Leio a sua boa entrevista. Li. Faltou algum coisa, 1berto ? O que faltou, Cineminha, fica para a próxima. Ou melhor: para o próximo.  Faltou o suficiente para fazer outros filmes. Vamos esperar. Só um coisa: quero estar como coadjuvante. Prometo não decepcionar.

Compartilhar...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on Twitter

Um comentário

  1. Oi, Ivan,
    Vi o texto. Lembrei do tempo dos cinemas de João Pessoa. Não é saudosismo por que não acredito em saudosismo, mas saudade mesmo.
    Abraços
    Fernando.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*


três − 2 =

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>