ELE TINHA “MACDONALD” EM SEU NOME E NÃO SABIA O PORQUÊ! UM MENINÃO!

ELE TINHA “MACDONALD” EM SEU NOME E NÃO SABIA O PORQUÊ! UM MENINÃO!

Um dia, assim mesmo sem pretensão, como na verdade pretensão não tinha naquele dia, perguntei-lhe se era mesmo verdade. E, antes de esclarecer a verdade que verbalizava (risos) naquele dia, ele, ato contínuo, perguntou qual era verdade sobre ele que eu não sabia. 

Por sua vez, isto é, a vez dele, sabia ele que apesar de caladão, todos sabiam disso. Não tinha nada a esconder. Era um sujeito transparente. Os poucos amigos que estão por aqui vestindo a mesma roupa que ele vestia até sábado passado, morando ainda nesta cidade, não me deixarão mentir. Era uma curiosidade. Apenas.  

Perguntei-lhe um dia e ele, sem empostar a voz grave, pois não era preciso, respondeu: era verdade. O seu nome tinha um Mac Donald que, para quem nasceu aqui e daqui nunca saiu era mesmo muito estranho. Ele confirmou. Acreditei. Mesmo assim, achando ainda que eu pudesse duvidar ou quem sabe queria provar para esses olhos curiosos o que dizia, tirou a Carteira de Identidade – RG para muitos – e mostrou. Estava lá: Ciro MacDonald!

mac donald

Não havia dúvida. Nunca duvidava dele. Mas, visto a prova que em muitos despertara tanta curiosidade, a pergunta não  poderia deixar  de ficar no ar: por que esse Mac Donald? Não soube responder. Idéia da mãe. O pai não teve nenhuma influência na escolha? Não. Foi monossilábico. Sobre o pai, ele nunca falava. A mãe, porém, costumava dizer que era uma santa. Uma santinha

Lembro-me que nesse  dia ele me contou uma história sobre ele, o pai. Mas, com a mãe tomando conta de toda história que contava, confesso que nada ou quase nada entendi.  Foi criado ali, assim e assado. Não entendi quase nada. Ou melhor: nada entendi. E, se entendi, não guardei na memória. 

Ciro era assim . Todos viam e sentiam, mas gostavam desse seu jeito único de ser. Um sujeito caladão, mas que  sabia dizer com poucas palavras o que muitos com muitas não conseguiam. Lembro-me ainda ser raro encontrá-lo acompanhado. Quase raríssimo. Estava sempre só e bem acompanhado, costumava dizer.

Quem visse Ciro caminhando pela rua acharia que ele nunca tinha pressa para chegar aonde quer que  fosse.  Também não sei se andava devagar, porque já teve pressa nesta vida.  Mas era assim que ele caminhava: sem pressa.

 Para a infelicidade dos amigos, dessa vez apressado, depois de dois breves ensaios, por aí, sem que falasse muito sobre os mesmos para os amigos não foi preciso mais ensaiar.  O bom MacDonald, o Ciro de Dona Santinha, trocou de roupa e foi morar noutra cidade.  Mais uma Estrela do Mar que se mudou. Foi brilhar em outros campos, em outros céus.

Que a terra lhe seja leve…

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