Entre Glauber e Capra e a vontade de assistir a um filme numa terça-feira em vermelho e preto!
o dragão gluaber rocha

Entre Glauber e Capra e a vontade de assistir a um filme numa terça-feira em vermelho e preto!

 

(Para o poetartista Francci Lunguinho)

 

frank capra

 

Manhãzinha de terça-feira. Não sei dizer o porquê. Mas a vontade de me deitar e deixar-me levar por um filme de Frank Capra é imensurável! Tento descobrir esse porquê, mas não consigo. Um filme por um cavalo que eu não tenho! Pausa. Não sei se foi o Quintana, o meu poeta, quem disse um dia que se houvesse mesmo reencarnação gostaria de nascer cavalo. Esse era o animal que povoava o seu – dele, do poeta Quintana – universo de beleza. Não existia outro mais bonito nesta terra de meu Deus. A terra dele. Entendam. Minha? Faço questão de não aceitar. Não querer.

Mas, como dizia no início desse passeio pelas nuvens de pensamento, nesta terça-feira um tanto… como dizer?,  preguiçosa e sem cor, a vontade de assistir a um filme de Capra é grande. Ah, terça-feira sem cor, não!  A cor não está no dia, mas em nossos olhos. Tem cor, sim, uma terça-feira, digamos assim, entre o vermelho e o negro. Outra pausa. Posso? Obrigado. O Vermelho e o Negro. Stendhal!

Não estava pensando em Stendhal. Vermelho e negro. Apareceu assim de repente, pedra no caminho do pensamento. Um filme. Era nesse pensava.  Um filme  que comecei a assistir na tela da imaginação no começo destas mal-traçadas! É o que desejo agora.  Um filme de Frank Capra. Mas nada de uma Felicidade que não se compra. Não pretendo. Não quero uma felicidade comprada. Também não quero uma felicidade tirada na loteria.

Não tenho um Capra por aqui. Percebo. Ah, olhar curioso! Esse descobre tudo!  Nesse instante ele, esse olhar, se espalha pela minha ilha cercada de livros e discos e filmes por todos os lados. Para. Paro. Os olhos seguem a parada.  Terra em transe!  Posso confessar? Não gosto do Glauber Rocha. Os filmes. Metonímia pura.  Acho que a sua – dele – vida daria um filme melhor que os muitos filmes que fez e, sem medo de ser feliz, confesso que um e apenas um assisti sem coçar o saco cheio de tédio. O Dragão da maldade contra o santo guerreiro. Apenas. Antonio das Mortes. A câmara preguiçosa? Eu gosto.

Terra em transe. Esse é aquele que se encontra mais próximo dos olhos e das lembranças primeiras de Glauber Rocha. Sem muito esforço, pois tudo está muito próximo, distante somente o medo de ser feliz, engravido o aparelho com o seu – dele, não esquecer – Terra em Transe. Não era esse o filme que eu queria assistir nesta terça-feira de vermelho e preto. Play:“ Não conseguiu firmar o nobre pacto/ Entre o cosmos sangrento e a alma pura / (…) Gladiador defunto mas intacto/ Tanta violência mas tanta ternura”.

Morre Paulo Martins!  Viva Mario Faustino! Sentiram? Senti.  Não amanheci cheio de cores nesta terça-feira em vermelho e preto. Mais Stendhal! Amanheci assim, entre Glauber Rocha e Mario Faustinho.

Cai o pano. Caio também. De sono!

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