esses pingos que caem como letras no espaço vazio das palavras

esses pingos que caem como letras no espaço vazio das palavras

@ – chuvaAgorinha caiu uma chuva de lavar todas as almas deste mundo que merecem estar limpas. Uma chuva que vêm trazendo coisas do céu e do ar. Nesse exato instante, lembro do maluco beleza Raul Seixas.  Por quê? Ora bolas! Porque ele perdeu o medo da chuva, quando descobriu que a chuva voltando à terra traz coisas do ar. Nunca tive medo da chuva! Só penso na chuva trazendo para terra coisas boas do céu.  Nunca enchentes como essas que fizeram do nosso bom vizinho – Recife – um único rio. O céu não é bem ali? Sei. Mas falo desse que vive dentro do peito de todos os homens de bem. Ah, e eu sou um. 

 

@ – Hoje, cedinho, como acordo todo dia, os olhos agora vendo para fora, sem nada de sonhos, escuto um tambor de crioula soando e fazendo bem aos meus ouvidos. Vem de longe!  Maranhão. Assim como o frevo está para Olinda, o Tambor de crioula está para terra do João do Vale, esse poeta popular com quem em tempos outros tomei umas boas lapadas no lembrado barzinho do Teatro Santa Rosa!  O Tambor é uma alegria só.  Muito diferente de um bom irmão (verdadeiro) que sempre parece estar em estado de mau humor. Uma pena. Tantos motivos pra gente dar risada,  e ele deixando pendurada no cabide da tristeza a sua alegria.  Tambor de crioula! Tambor de crioulos, de negros como eu! Tambores tocados pelos nossos ancestrais!tambor

 

@ – gato curiosoA curiosidade matou o gato… Não sei quando nem o porquê dessa sacada que a minha mãe na sacada de casa costumava citar.  Pausa. Deixa-me dar uma olhada: dizem que essas sacadas vêm da idade média, quando muitos gatos eram executados por estarem associados às bruxas. E, para evitar a proliferação desses doces felinos, colocavam armadilhas que acabavam aguçando a curiosidade dos coitadinhos. E quando os bichanos nessas caiam, nem mesmo se tivessem 70 vidas escapariam.  Sim, mas o que eu dizia mesmo?

 

@ – O nosso saudoso Wellington Pereira, emérito amigo e professor e pensador e poeta e outros predicados eméritos, maravilhosos, dizia que este MB tinha como esporte “consultar dicionários e enciclopédias”. Nem tanto isso nem tão pouco, respondi modestamente. Isso ficava para o mestreamigo Milton Marques. E como tudo começou? Ele (Wellington) escreve:

 

wellington pereira dois “Memória para uso diário

Humberto de Almeida e o cafetã de Gilberto Gil.

 

Corriam os anos 1980.

No auditório do Centro de Tecnologia da UFPB, Gilberto Gil -recém eleito vereador de Salvador- palestrava sobre o Movimento Onda Azul – de preservação das Praias.

No outro dia, um prestigioso colunista da Imprensa paraibana descreveu o ídolo da MPB trajando uma cafta verde durante o evento.

Li a coluna e não me importei. Mas a minha ignorância foi salva pela resposta do jornalista Humberto de Almeida: Gil não usava uma cafta. Sua roupa, na melhor tradição afro-muçulmana, era um cafetã, túnica talar, ondulada, debruada, segundo o Dicionário Houaiss.

 Quem tem cultura se estabelece. Valeu Humberto de Almeida. (wp).

 

Que saudade da gota serena do meu bom e culto amigo!

 

@dante cari- Outro dia, com aquela curiosidade que   matou o gato, mas não me mataria nunca porque não sou gato nem tão curioso assim, lendo aqui e ali sobre a vida da Beatriz, o amor platônico de Dante de Alighieri, despertou-me a curiosidade: que nome lascado é esse, hein? Alighieri?  Deus meu! Mas a sua – dele, do nome – origem é ainda mais lascada ainda para os menos versados nas coisas do criador do purgatório, paraíso e o inferno que ainda não era os outros.  Meninos, eu vi!  O .seu nome, segundo o testemunho do filho Jacopo Alighieri, “Era um hipocorístico de “durante”.[2] nos documentos, era seguido do patronímico “alagherii” ou do gentílico “de alagheriis”, enquanto a variante “alighieri” afirmou-se com o advento de Boccacio“. Lascou mais ou não?

 

@ – Pronto, parou de chover e acredito ter sido essa parada o ponto final dos acontecimentos que encontrei depois de abrir os olhos para fora. Peraí, peraí, peraí! Lembrei agorinha aquele lampião do poetaço Sérgio de Castro pinto! Tão lembrados? Eu?  Nunca me esqueço: “lampião ao habitar-se/nos dois olhos/a eles dividia:/o olho aberto matava/e o outro se arrependia”. Que beleza! Bom mesmo é conhecer esse poema de “cabo a rabo”, como eu costumo aqui dizer, e ver a beleza poética entre o canto e o contracanto do “cego” camões e não menos “cego lampião”. A troca de olhares pelos olhos de fora que veem, e as descobertas – sempre uma surpresa – dos outros dois que para dentro veem.sergio de castro pinto dois dois

@ – Parou a chuva? Tudo bem. Não é medo, mas esses pingos me deixam reticente. Foi bom, não foi?

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